Indústria da construção tem em março mais rápida e abrupta retração da série histórica

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Pesquisa da CNI mostra quedas acentuadas em todos os indicadores: utilização da capacidade operacional, condições financeiras, confiança, expectativas para os próximos seis meses e intenção de investimento

A retração da indústria da construção no mês de março foi a mais rápida e abrupta da série histórica, sendo o período fortemente afetado pela pandemia do novo coronavírus, segundo aponta Sondagem da Construção, divulgada nesta terça-feira, 5, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa mostra quedas acentuadas em todos os indicadores: utilização da capacidade operacional, condições financeiras, confiança, expectativas para os próximos seis meses e intenção de investimento.

O índice de evolução do nível de atividade ficou em 28,8 pontos em março, o que demonstra queda intensa e disseminada. O indicador varia de 0 a 100, com linha divisória de 50 pontos, que separa crescimento e queda do nível de atividade. Valores abaixo de 50 pontos são considerados retração. “É o valor mais baixo da série histórica. Indica recuo de intensidade e disseminação jamais registrados na série mensal”, explica do economista da CNI Marcelo Azevedo, em nota divulgada pela entidade.

Segundo o levantamento, o índice de nível de atividade efetivo do setor em relação ao usual recuou para 25,5 pontos. Esse indicador mostra quão aquecida está a atividade da indústria da construção. O índice alcançado é o segundo menor da série, só superando os 25,3 pontos de fevereiro de 2016.

O índice de Utilização da Capacidade Operacional também refletiu a interrupção das atividades produtivas na indústria da construção em decorrência da covid-19. Esse indicador recuou 8 pontos porcentuais na comparação mensal, ficando em 52% em março. É o menor porcentual da série histórica, que tem início em janeiro de 2012.

Apesar da baixa atividade no setor, a queda no emprego não foi tão intensa. O indicador de evolução do número de empregados registrou 39 pontos, 11 pontos abaixo da linha divisória dos 50 pontos.

Segundo a CNI, entre os motivos para uma retração menor que a da atividade estão a rapidez e a surpresa da queda da atividade e a possibilidade de os empresários adotaremmedidas temporárias para preservação de empregos, como redução proporcional de salário e jornada, o que foram alternativas à dispensa permanente.

“Mas não sabemos como vai ficar nos próximos meses, devido a forte contração da atividade e das expectativas”, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

Para os próximos seis meses, a pesquisa aponta uma preocupação do empresário da indústria da construção com o futuro imediato. Os índices de expectativas do nível de atividade e de novos empreendimentos e serviços recuaram 27,4 e 26,6 pontos, respectivamente, em abril na comparação com março. Os indicadores de expectativas de compras de insumos e matérias-primas e do número de empregados recuaram, 24,9 e 22,8 pontos, respectivamente, no mesmo período.

Esses números representam o menor patamar atingido por todos os indicadores de expectativas desde o início das séries históricas.

O Índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) registrou 34,8 pontos em abril, uma queda de 24,5 pontos no mês, o maior recuo mensal da série. Essa falta de confiança, segundo avalia a CNI, traduz o cenário atual de forte contração na atividade e elevada incerteza em razão da pandemia de covid-19. A falta de confiança dos empresários, alerta a entidade, vai contribuir para a paralisação dos investimentos, o que pode agravar a crise econômica.

A queda do faturamento e do nível de atividade se refletiu na piora da situação financeira das empresas da construção. Segundo a pesquisa, o índice de satisfação com a situação financeira registrou 38,6 pontos, redução de 6,2 pontos frente ao quarto trimestre de 2019. O indicador de satisfação com a margem de lucro operacional registrou 34,1 pontos após queda de 5,8 pontos em relação ao quarto trimestre de 2019. O acesso ao crédito também se tornou mais difícil no primeiro trimestre de 2020. O índice de facilidade de acesso ao crédito recuou 5,4 pontos, de 37,6 pontos para 32,2 pontos.

A Sondagem da Construção foi feita entre os dias 1.º e 14 de abril, com 411 empresas.

Fonte: Jornal Estado de S.Paulo