Falta de mão de obra desafia construção civil e impulsiona salários e investimentos em qualificação

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Reconhecida historicamente como uma das atividades que mais movimentam emprego no Brasil, a construção civil lida hoje com um cenário de escassez nos canteiros de obras. De acordo com dados apresentados pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), cerca de oito em cada dez construtoras relatam dificuldades para preencher suas vagas de trabalho. Esse gargalo tem sido motivado pela forte concorrência do mercado atual com atividades informais e que oferecem jornadas mais flexíveis, o que gerou, consequentemente, uma percepção generalizada de envelhecimento da mão de obra atuante, cuja média de idade está na faixa dos 44 anos.

Para reverter esse quadro, as entidades do ramo e as lideranças setoriais ressaltam que os canteiros passaram por profundas transformações, tornando-se ambientes muito mais organizados, seguros e tecnológicos. A carência de profissionais abrange tanto funções tradicionais, como pedreiros, carpinteiros, pintores e instaladores, até postos técnicos mais especializados e de gestão. Diante da urgência de manter o ritmo e o cronograma dos novos empreendimentos imobiliários, as empresas foram obrigadas a reformular suas estratégias de mercado para reter talentos.

Como reflexo direto dessa disputa por profissionais, o setor passou a pagar remunerações acima do piso regulamentado da categoria, que costuma variar de R$ 3 mil a R$ 4 mil, transformando a construção civil no segmento com o maior salário médio de admissão do país, segundo o Caged.

Além do incremento na folha de pagamento, as empresas estão ampliando os investimentos internos e as parcerias em programas de qualificação profissional, enxergando na capacitação técnica o caminho fundamental para atrair jovens e criar uma nova geração de trabalhadores preparados para lidar com as novas demandas e inovações da engenharia moderna