Bradesco, Itaú Unibanco e Santander avaliam entrar no mercado de financiamento imobiliário do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), hoje amplamente dominado pela Caixa Econômica Federal. O movimento ocorre diante do crescimento do programa, que já representa mais da metade das vendas de imóveis novos no país.
Segundo informações do Estadão, o interesse das instituições está concentrado inicialmente nas famílias de maior renda dentro do programa: o topo da faixa 3, com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, e a faixa 4, criada em 2025, que atende famílias com renda de até R$ 13 mil. Os consumidores das faixas 1 e 2 não estariam no foco dos bancos privados.
O crescimento do mercado ajudou a mudar a avaliação das instituições. Os financiamentos das faixas 3 e 4 ultrapassaram 230 mil moradias em um período de 12 meses, mais que o dobro do registrado em anos anteriores. Atualmente, essas faixas também contemplam imóveis de até R$ 600 mil, ampliando o potencial do mercado.
Outro fator que contribui para o interesse é a baixa inadimplência do crédito imobiliário, que permanece em torno de 1%, segundo as informações divulgadas. Embora o spread seja considerado menor do que em outras modalidades de crédito, os financiamentos imobiliários podem criar uma relação de longo prazo com os clientes, já que os contratos podem chegar a 35 anos.
O setor da construção também acompanha a possibilidade de expansão do programa. As construtoras propuseram ao governo ampliar a faixa 4 para famílias com renda de até R$ 21 mil e imóveis de até R$ 1,2 milhão. A proposta está em análise pelo Ministério das Cidades e, se aprovada, poderá ampliar ainda mais o mercado atendido pelo MCMV.
Apesar do interesse, a entrada dos bancos privados ainda está em avaliação e pode levar alguns meses. Entre os desafios estão a forte presença da Caixa no segmento e a complexidade das operações, que utilizam recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal e exigem adequações nos balanços e nos níveis de capital das instituições.
Para a construção civil, uma eventual ampliação da participação dos bancos privados pode representar mais alternativas de financiamento, maior acesso ao crédito e potencial estímulo à demanda por novos empreendimentos, especialmente nos segmentos de renda atendidos pelas faixas 3 e 4 do programa.