Mesmo com a paralisação voluntária das atividades de mineração deste terça-feira (15), a qualidade do ar em Santa Gertrudes e Rio Claro continua sofrendo impactos negativos. Neste momento, essas evidências levam a entender que fatores que agravam a situação não estão ligados somente a atividade mineral, mas sim às queimadas irregulares, plantio, colheita e escoamento da produção de cana além do congestionamento e poeira gerados pelas obras na Rodovia Washington Luís.
Fotos registradas nesta semana evidenciam o cenário com incêndios em áreas rurais liberando grande quantidade de fumaça, em Rio Claro e Santa Gertrudes. Além disso há longas filas de veículos parados na SP-310, em Santa Gertrudes e Rio Claro, com motores ligados, gerando emissão contínua de poluentes durante praticamente todos os dias. Esses fatores somados a trafego intenso de caminhões de cana na área rural podem ter afetado de forma direta a qualidade do ar na região, especialmente nos dias de clima seco e baixa dispersão de partículas.
Mineração para atividades de forma voluntária
De acordo com a ASPACER (Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento), o termo de compromisso firmado entre o setor cerâmico e de mineração junto a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) venceu em dezembro de 2024. Apesar da ausência de um novo acordo formalizado, as empresas decidiram, por iniciativa própria, suspender gradativamente as atividades de lavra a céu aberto, movimentação em pátios de secagem e transporte de argila em um gesto de responsabilidade ambiental.
Em nota, a ASPACER afirma que o único setor que parou integralmente suas atividades foi o da mineração, e o fez por iniciativa própria, mesmo sem um novo acordo com a CETESB. “A decisão do setor cerâmico e de mineração em suspender as operações representa uma posição relevante da cadeia produtiva, que reforça o compromisso com práticas sustentáveis e com o bem-estar da população”, conclui a nota.
Ainda segundo a ASPACER, o setor é, de fato, parte do problema, mas não pode ser visto como único responsável em encontrar soluções para o particulado. “É necessária uma ação intersetorial, capaz de reunir esforços conjuntos para mitigar os impactos gerados pelos arranjos produtivos, da cana de açúcar e transportes, especialmente durante os períodos de estiagem”, finaliza a entidade.