Comissão de Estudos da ABNT estuda revisão das normas de assentamento de placas cerâmicas

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Dando continuidade às reuniões da Comissão de Estudo de Projeto e Execução de Revestimentos em Placas Cerâmicas (CE-002:109.010), criada pela ABNT, como único Foro Nacional de Normalização, mediante a demanda de normalização no campo de Procedimento e Execução de Placas cerâmicas, aconteceu ontem, em São Paulo, no Sindicato das Construtoras de São Paulo (Sinduscon/SP), mais uma reunião.

O objetivo dessa Comissão, em que o Centro Cerâmico do Brasil (CCB) também está participando, é discutir e estabelecer, por consenso, regras, diretrizes ou características para o referido assunto.

Nesta, estavam em pauta as normas: Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento (ABNT NBR 13753); Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento (ABNT NBR 13754); Execução de piso com revestimento cerâmico – Procedimento, e ABNT NBR 8214  Assentamento de azulejos – Procedimento (ABNT NBR 9817).

De acordo com o engenheiro do CCB, Mauricio Resende, a revisão da norma dessa Comissão visa estabelecer as condições exigíveis para projeto, execução, fiscalização e recebimento de revestimentos de paredes internas com placas cerâmicas ou pastilhas assentadas com argamassa colante ou adesivo especial. “Além disso, a intenção é que o texto tenha um caráter orientativo, semelhante a um guia, para que o leitor possa encontrar informações e conhecimento para sanar suas dúvidas e tomar decisões frente à enorme variabilidade dos revestimentos”, disse Resende.

A normativa de projeto e instalação atualmente está em vigor desde 1996 e, segundo o secretário da Comissão e gerente da Portobello, Luiz Manetti, a desatualização é tão vasta que naquela época não existiam porcelanatos e placas de grandes formatos. “ Hoje o cenário é totalmente diferente, com novos tipos de estruturas, argamassas colantes e ferramentas de forma que as exceções viraram regra por uma ação natural do mercado consumidor. Por esse motivo, cada vez mais presenciamos a discrepância entre o que é prescrito e a realidade da instalação praticada nas obras, muitas vezes causando patologias significativas”, reforçou Manetti.

 

Além de receber uma atualização técnica, a norma está sendo escrita sob a coordenação do engenheiro civil, Fábio Villas Boas, com a participação de representantes do Sinduscon-SP, da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer), da Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento (Aspacer), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento (Sinaprocim), construtoras, empresas fabricantes de placas cerâmicas, empresas fabricantes de argamassas, entidades neutras e representantes dos consumidores, o que irá conferir uma maior aderência com a realidade de obra e, por conseqüência, uma maior facilidade de a mão- de- obra para conseguir se adequar a essa nova realidade. “Por fim, devemos ressaltar o ponto que marca uma nova fase muito positiva na parceria entre a Anfacer e o Sinduscon com o mesmo objetivo de melhorar a qualidade final das obras e, conseqüentemente, a satisfação de nosso cliente em comum: o morador”, salientou Manetti.

Para Villas Boas, as normas resultam de estudos consensuais e consolidados, baseados em ciência, tecnologia e experiência acumulada, e devem traduzir o estado da arte de um determinado tema, segundo a visão de todas as partes envolvidas em sua elaboração, representadas por consumidores, produtores e neutros, esta última, categoria formada por Universidades, Governo, laboratório, entre outras. “Para tanto, a revisão delas  é fundamental para a atualização tecnológica, segurança nas relações de consumo e otimização dos resultados de todo o setor. Além disso, o uso de revestimento cerâmico é amplamente disseminado no Brasil, para as mais diversas aplicações, entre elas, pisos, paredes, fachadas, piscinas, em toda a sorte de edificações, como: residências, comércio, indústria, hospitais, clubes, entre outras, o que confere enorme importância e responsabilidade, para que este trabalho seja levado expeditamente a bom termo, proporcionando aos consumidores, produtores de insumos, serviços e equipamentos, e ao mercado de construção em geral, o ambiente ideal para utilização deste nobre revestimento”, explicou.

Também participante das reuniões da Comissão, o engenheiro da Gail Service, Roberto Gonçalves Dias, salientou que como houve várias alterações no sistema construtivo, são necessárias atualizações, ajustes de alguns parâmetros técnicos e adaptações para atender a norma NBR 15.575. “ Já passou do tempo dela ser revista, pois foi editada há 20 anos, porém, temos que ter um cuidado e não diminuir o nível das exigências, nivelando os parâmetros para baixo, bem como não torná-la inexeqüível”, falou o profissional ressaltando que as atuais 13754 e 13753, são o foco desta revisão.

Somado a isso, o coordenador da Garantia da Qualidade, da Eliane Revestimentos, Anderson Patricio Ezequiel, esclareceu que “as placas cresceram de tamanho e exigem cuidados e insumos diferentes dos que aplicávamos no passado.”

A participação dos fabricantes de placas cerâmicas nesta Comissão é de extrema importância para a colaboração das discussões técnicas e reforça que a cadeia construtiva e a indústria cerâmica estão comprometidas com a qualidade do produto brasileiro e da construção civil.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CCB