Alagoas quer indústrias cerâmicas de SP

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Representantes da Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento foram recebidos pelo governador e debateram sobre possíveis investimentos no estado.

Integrantes da cadeia produtiva do setor cerâmico de revestimento paulista, estiveram em Alagoas nos dias 12 e 13 de abril, cumprindo uma extensa agenda com o intuito de conhecer as especificidades do estado. A missão técnica foi sugerida pelo governador de Alagoas, Renan Filho que em dezembro do ano passado esteve visitado algumas das empresas do setor no polo cerâmico de Santa Gertrudes, prospectando novos investimentos.

 

Números da inteligência de mercado do setor cerâmico apontam que o nordeste é responsável por 10% da produção nacional de revestimentos, e que por outro lado a região consome 20% dos revestimentos comercializados no país. Ou seja, metade do consumo nordestino é atendida por “importações” de pisos, azulejos, faixas e pastilhas produzidas principalmente do sudeste do país.

 

Para Luís Fernando Quilici, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da ASPACER e coordenador da missão a Alagoas, sobre o ponto de vista mercadológico e da competitividade das indústrias é interessante investir no nordeste brasileiro, sobretudo pela existência de jazidas de argila na região, pela presença do gás natural e proximidade do mercado consumidor, fator que faz reduzir o custo com o frete. “É importante essa aproximação e poder tratar diretamente com o governador do Estado, uma possível parceria. Ações como essa que realizamos em conjunto com empresários do setor, fazem parte da missão da ASPACER que é de proporcionar mais competitividade à cadeia produtiva do setor cerâmico paulista”, pontuou o executivo.

 

A missão técnica contou ainda com a participação de José Octávio Paschoal – diretor do Centro Cerâmico do Brasil, Nena Tanaka Ikeda – diretora da MCM Fornos, Heitor Ribeiro de Almeida – diretor da Cerâmica Almeida, Eduardo Martim Lara Filho e Arnaldo Fernandes – Real Telhas.

 

O grupo realizou encontro com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Helder Lima, onde foi discutida a viabilidade de áreas para a instalação de fábricas; o fornecimento de gás e argila, matéria prima imprescindível para a produção de revestimentos cerâmicos.

 

Foram feitas ainda reuniões com a Algás (Gás de Alagoas S.A.), Banco do Nordeste, visita de campo à fábrica da Pointer – do Grupo Portobello e ao Centro de Distribuição do Home Center Carajás, o mais importante do estado e dos principais da região nordeste.

 

Na avaliação do governador Renan Filho, o segmento econômico da cerâmica é um norte para Alagoas. Ele enfatizou esta importância do setor durante reunião ocorrida, no Palácio República dos Palmares, última parada da comitiva.

 

“Alagoas tem diversos diferenciais importantes para atrair empresas, sobretudo deste ramo de mercado. Nossa posição geográfica é vantajosa, somos produtores de gás  e temos uma política de atração de empresas competitiva”, ressaltou o governador.

 

Há trinta anos no mercado de tecnologia em queima e fornos industriais para cerâmica, a fábrica da empresária Nena Ikeda funciona em São Paulo e possui doze clientes no Nordeste, entre eles a Portobello. Ela fala das dificuldades que tem em atender seus clientes da região.

 

“Minha empresa atua com um elevado nível tecnológico na manutenção, assistência técnica, distribuição e fabricação de peças para reposição em fornos para as indústrias de pisos e revestimentos cerâmicos, todos os equipamentos têm que ser transportados por terra além dos itens que são importados com acesso pelo porto de Santos e a distância encarece muito a prestação do meu serviço. Uma base mais perto vai viabilizar muito o meu negócio”, explicou Nena.

 

Há 93 anos no segmento de cerâmica, o diretor da empresa Cerâmica Almeida, Heitor Almeida, disse que faz quatro anos que o grupo analisa o mercado nordestino e já visitou diversos estados da região. Especializado na fabricação de pisos, revestimentos e telhas esmaltadas, o diretor do grupo disse que teve uma perda no mercado da região devido à distância e valor do frete para envio de mercadorias. O grupo Almeida fabrica atualmente 24 milhões de m² de pisos e 18 milhões de m² de telhas, desses 30% é vendido para o Nordeste.

 

Outros grupos cerâmicos de São Paulo já estão presentes com filiais nos estados de Sergipe e Bahia.

 

 

Fonte: Matéria: Luís Fernando Quilici - Foto: Marcio Ferreira