A Indústria em Agosto de 2015: Investimento em Colapso

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O cenário externo adverso, os baixos índices de expectativas de empresários, a política econômica que reduz a demanda e inibe o investimento, com aumento das taxas de juros e ajuste fiscal, têm exacerbado as dificuldades estruturais da indústria.

A produção industrial caiu 1,2% em agosto de 2015 frente ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, de acordo com os dados do IBGE. Na comparação com agosto do ano passado, a redução da indústria total em agosto de 2015 foi de 9,0%, mantendo a tendência negativa registrada por 18 meses consecutivos neste indicador. No ano, o setor acumulou queda de 6,9% e nos últimos doze meses o recuo é de 5,7%, o pior resultado desde dezembro de 2009 (–7,1%).

Com os índices de utilização média da capacidade instalada na indústria de transformação mais baixos do que os da crise de 2009, tendo o indicador da FGV assinalado 77,7% e o da CNI 77,9% em agosto de 2015, ambos livres de influências sazonais, não é de se esperar novos investimentos na indústria tão cedo.

Na passagem de julho para agosto de 2015, somente bens intermediários anotaram elevação da produção (0,2%), após de seis meses de queda seguidos, mas sem condições de recuperar a perda então acumulada de 4,0%. Já nas outras três categorias de uso, considerando o ajuste sazonal, houve queda: bens de consumo semi e não duráveis -0,3%, bens de consumo duráveis -4,0% e bens de capital -7,6%, a mais intensa de todas.

A debacle em bens de capital se traduz na crescente e significativa retração dos investimentos no país. Por um lado, a importação de bens de capital vem diminuindo desde o ano passado. Por outro, a produção desses bens encolheu 9,2% em 2014 e já acumula queda de 22,4% nos oito primeiros meses deste ano, especialmente puxadas por bens de capital para equipamentos de transporte (-28,2%), de acordo com números do IBGE.

Em termos trimestrais, a fabricação de bens de capital para transporte diminuiu 24,7%, 26,8% e 35,5%, respectivamente, no primeiro, segundo trimestres e acumulado julho-agosto €– com relação a igual período do ano anterior. O recuo é severo também nos segmentos de bens de capital para agricultura (-20,5%, -19,8% e -29,3%), construção (–24,2%, –41,4% e –56,9%), energia (–7,9%, –22,1% e –19,9%), para uso misto (–16,6%, –20,5% e –33,4%) – sempre na mesma ordem: primeiro e segundo trimestres e acumulado julho-agosto. A produção de bens de capital para indústria, que recuou mais fortemente no ano passado, continua caindo: –0,6, –6,5% e –0,9%.

Na comparação entre agosto de 2015 e agosto de 2014, a retração de 33,2% em bens de capital é a mais expressiva entre as categorias de uso, seguida por bens de consumo duráveis (-14,6%), bens de consumo semi e não duráveis (-7,6%) e bens intermediários (-5,5%). O colapso na fabricação de bens de capital vem ocorrendo há 18 meses consecutivos neste indicador, tendo atingido todos os seus grupamentos em agosto de 2015, especialmente bens de capital para equipamentos de transporte (-39,1), bens de capital de uso misto (-35,1%), para construção (-56,8%), agrícola (-32,4%),para energia elétrica (-19,7%) e para fins industriais (-2,3%).

Em termos de gêneros da indústria, ainda na comparação mensal, 23 dos 26 segmentos assinalaram diminuição da produção em agosto de 2015, especialmente veículos automotores, reboques e carrocerias (-26,2%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-8,7%), máquinas e equipamentos (-15,3%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-30,3%), produtos de metal (-15,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,7%).

No acumulado entre janeiro e agosto do presente ano, comparativamente aos mesmos oito meses de 2014, a queda de 6,9% da produção da indústria nacional é generalizada, com retração em 24 dos 27 ramos, 68 dos 79 subsetores e 72,4% dos 905 produtos investigados. Todas as categorias assinalam perdas, tendo sido de 22,4% em bens de capital, de -14,2% em bens de consumo duráveis, de -7,2% em bens de consumo semi e não duráveis e de -3,7% em bens intermediários de janeiro a agosto de 2015.

Fonte: Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Social - IEDI