Em discurso da vitória, Evo Morales celebra nacionalização do gás

Publicado en Gás Natural

0021fev13_12_6_1902_1245Programa nuclear para fins pacíficos, libertação em relação ao império americano, vitória da nacionalização sobre a privatização, rechaço à Aliança do Pacífico, união nacional. O presidente da Bolívia, Evo Morales, nem sequer se preocupou em aparentar moderação em seu primeiro discurso após a retumbante vitória nas eleições deste domingo.

Falando a uma multidão desde uma sacada do palácio presidencial Quemado, Morales celebrou as pesquisas de boca de urna que dão a ele cerca de 60% dos votos válidos, o que lhe confere um novo mandato de cinco anos.

“Estavam em debate dois programas para o país. A nacionalização e a privatização”, disse ele. “E, novamente, a nacionalização ganha com mais de 60% dos votos.”

Foi graças  à nacionalização do gás, em 2006, que seu governo obteve uma alta arrecadação que lhe permitiu, com um manejo ortodoxo da economia, melhorar quase todos os indicadores sociais do país.

Morales também arremeteu contra o “império capitalista” dos Estados Unidos. “Há um profundo sentimento, não só na Bolívia, como na América Latina e no Caribe, de libertação”, afirmou. Depois, puxou o coro: “Pátria, sim! Colônia, não!”.

O presidente boliviano também expressou sua reprovação à integração do país à Aliança do Pacífico (AP), uma pacto comercial que reúne México, Colômbia, Peru e Chile. Segundo Morales, a AP “significa a volta da Alca” – a Área de Livre Comércio das Américas idealizada pelos Estados Unidos e enterrada sobretudo pela resistência do Brasil presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, no início da década passada.

“A Aliança do Pacífico significa privatizar os serviços básicos. Esse é o pleito da Aliança do Pacífico”, afirmou.

O presidente dedicou sua vitória aos líderes cubano Fidel Castro e venezuelano Hugo Chávez (este morto no ano passado), e “a todos os presidentes anti-imperialistas”.

Morales afirmou ainda que pretende converter a Bolívia “no centro energético da América do Sul”. Para tanto, defendeu que o país comece a promover “um programa nuclear para fins pacíficos”, o que é “um direito da Bolívia”.

Referindo-se a resultados de pesquisas de boca de urna, ele também celebrou a vitória “em todas as regiões do país”. Inclusive no Departamento (Estado) de Santa Cruz, na chamada “meia-lua” boliviana, onde houve um forte movimento separatista em 2008.

“Aqui não há meia lua. A Bolívia é lua cheia”, afirmou.

Depois do discurso no palácio presidencial, Morales partiu para Santa Cruz de la Sierra, bastião opositor e com grande população hispânica, em que obteve 49% dos votos válidos, segundo pesquisas de boca de urna.

Em La Paz, onde há uma maioria de quéchuas e aimaras, etnia do presidente, Morales obteve cerca de 70% dos votos, segundo a boca de urna.

Ainda não há dados parciais sobre a contagem oficial dos votos.

 

 

Fonte: Jornal Valor Econômico