Empresas norte-americanas começaram a receber de volta valores pagos em tarifas de importação que foram posteriormente consideradas ilegais pela Justiça dos Estados Unidos. O movimento ocorre após a invalidação de parte das taxas impostas pelo governo de Donald Trump, abrindo caminho para restituições bilionárias às companhias afetadas.
Segundo levantamento citado pelo g1, mais de 40 multinacionais integrantes do índice S&P 500 já registraram cerca de US$ 9,6 bilhões em restituições, dos quais pelo menos US$ 2,1 bilhões já foram efetivamente recebidos pelas empresas. O restante corresponde a valores aprovados pelo governo e contabilizados como recursos a receber.
Em escala mais ampla, a alfândega norte-americana já aceitou para processamento US$ 128,7 bilhões em pedidos de devolução, relacionados a mais de 252 mil solicitações. O volume representa uma parcela significativa dos cerca de US$ 166 bilhões arrecadados com tarifas posteriormente anuladas.
Entre as empresas que aparecem com os maiores valores a receber estão Apple, Nike, FedEx, Amazon e General Motors. No caso da Nike, por exemplo, a maior parte dos recursos já havia sido recuperada até julho.
Os reembolsos também podem ter efeitos sobre consumidores e cadeias produtivas. Algumas empresas anunciaram a intenção de repassar parte dos valores recuperados aos clientes que absorveram os custos das tarifas por meio de preços mais altos. A FedEx, por exemplo, informou que pretende distribuir os recursos recuperados entre clientes e transportadoras.
O movimento ocorre em meio à continuidade das discussões sobre a política comercial dos Estados Unidos. Embora tarifas anteriores tenham sido derrubadas, novas taxas continuam sendo aplicadas a diferentes parceiros comerciais, incluindo o Brasil, mantendo o cenário de incerteza para empresas que atuam no comércio internacional.
Para a indústria, o episódio reforça a importância de acompanhar as mudanças nas políticas tarifárias e seus efeitos sobre custos de importação, preços, cadeias de fornecimento e competitividade internacional.