Bolívia deve passar a importar gás natural

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A produção de gás natural da Bolívia cairá mais rápido do que o esperado e o Brasil pode não dispor do energético do país vizinho ao fim da década, avalia a Wood Mackenzie. A previsão é que os bolivianos, hoje grandes exportadores, passem a importar gás.
A consultoria estima que a produção boliviana cairá de cerca de 40 milhões de m3/dia, em 2022, para 11 milhões de m3/dia, em 2030. Atualmente, a demanda doméstica consome cerca de 30% da oferta total, mas, até 2030, o consumo interno deverá superar a oferta.
A reversão desse cenário depende do sucesso dos investimentos exploratórios na Bolívia. A estatal YPFB promete aumentar as campanhas exploratórias a partir de 2023 e buscar novas fronteiras.
Entretanto, a Wood Mackenzie lembra que, em 2021, o governo boliviano lançou um plano de exploração, mas apenas três dos 20 poços anunciados foram perfurados – e estão secos. “Além disso, os termos fiscais do país estão entre os menos competitivos da região”, pontua a analista de exploração e produção para a América Latina, Kuy Hun Koh Yoo.
Se confirmadas as projeções, muda-se o tabuleiro do gás na América do Sul. A Argentina caminha para a autossuficiência nos próximos anos, com o desenvolvimento esperado das reservas de gás não-convencional de Vaca Muerta, na Bacia de Neuquén.
Com a expansão dos terminais de gás natural liquefeito (GNL) nos últimos 15 anos, o Brasil já não é mais tão dependente da Bolívia como nos anos 2000. Mas o país vizinho ainda responde por 25% do abastecimento. E representa, para o Brasil, um gás mais barato que o GNL importado – e, em muitos casos, que o próprio gás nacional.