Cavas de mineração viram fonte alternativa para captar água

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Cordeirópolis (SP) aproveita cavas de mineração diante da seca.
Solução temporária já interessa a outros municípios da região.

Nessa época de seca, uma cidade do interior de São Paulo encontrou uma fonte alternativa para captar água.

Cordeirópolis, cidade de 20 mil habitantes na rica região de Campinas. Pobre em água, em estado de calamidade pública há três meses, quando os reservatórios baixaram a níveis críticos.A solução temporária tem sido o aproveitamento de cavas de mineração, que são comuns na região. Como a do vídeo, desativada há 10 anos. Lá, a extração de argila, por muito tempo, formou uma grande depressão, onde se acumularam muitos milhões de litros de água. Mas é um recurso de emergência, que também pode se esgotar em pouco tempo.

“Nós acreditamos que no mínimo mais 50 dias sem chover só captando dessa fonte aqui”, afirma o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Cordeiropólis, Giovane Henrique Genezelli.

As margens expostas mostram: o nível já baixou quase três metros desde julho, quando começou a exploração.

O custo é alto. Só de combustível, quase mil litros por dia para bombear a água por vários quilômetros nas tubulações. Ela é tratada, mas o fornecimento teve que ser reduzido, com racionamento.

Rafaela já sabe: as torneiras externas, ligadas à rede, secam entre 6h e 18h. Ou mais do que isso.

“Na hora que chega a água, todo mundo quer usar. Então, demora para encher, demora para chegar aqui mesmo na torneira”, diz a comerciante Rafaela Barbuglio.

Mas o fato é que a solução encontrada por Cordeirópolis já interessa a outros municípios da região. Um levantamento encontrou outras 30 cavas de mineração que poderiam ser aproveitadas.

“É uma quantidade de água que não atende 100% do município, é apenas um complemento e acreditamos que em torno de 90 dias, elas são possíveis de abastecer complementarmente os municípios”, defende José Cesar Saad, do Consórcio Bacia Piracicaba, Capivari, Jundiaí.

O especialista José Luiz Albuquerque Filho, pesquisador do IPT, defende o uso das cavas de mineração, mas diz que é preciso muita atenção não apenas com a qualidade da água.

“Essa água se estende para o subsolo. Se você de repente traz essa água tem que ter um certo cuidado, vai ter uma resposta do subsolo. Poderia ter algum desmoronamento, algum tipo de afundamento, alguma instabilização”, afirma.

Acesse o vídeo com a reportagem:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/09/cavas-de-mineracao-viram-fonte-alternativa-para-captar-agua.html

Fonte: Site Jornal Nacional