Terceiro dia de Congresso: Palestras com auditório mais que lotado apontam para o futuro da produção de porcelanato no polo de Santa Gertrudes

Publicado en Congresso

O terceiro dia do circuito de palestras do 6º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, em 18 de junho, começou a todo vapor. Com temas voltados para a produção de porcelanato, o assunto contagiou a todos os participantes, o que gerou debates e questionamentos, elevando o nível técnico das explicações.
O primeiro a contribuir nessa produção e troca de conteúdo foi Henrique Cislagui da Silva, da T-COTA Engenharia e Minerais Industriais, apresentando um grupo de matéria prima muito eficaz para o porcelanato via úmida: as bentonitas. Sob o tema “Fonte de plasticidade e fundência controlada para porcelanato obtido por moagem via úmida”, o palestrante traçou um panorama da produção atual de revestimentos no Brasil. Entre os destaques ele incluiu o crescimento da produção de porcelanato nos últimos anos e o processo contínuo de conformação, além de grandes formatos em espessuras cada vez mais reduzidas. O desafio tecnológico é muito claro: uma massa que suporte essas três tendências com estabilidade na queima e maior plasticidade, aumentado a produtividade.
Um dos grandes desafios para essa produção é encontrar o material adequado, uma vez que a disponibilidade de argilas plásticas representa 9% do total de argilas encontradas no Brasil, taxa que cai para 4% no estado de São Paulo.
E o que são bentonitas e como podem ajudar nesse processo? O nome vem da região em que foi descoberta, em Fort Benton, Wynoming, EUA. Sua estrutura, adicionada ao processo de produção do revestimento, interage com o meio tornando-o mais plástico de fundente, devido a sua estrutura com muitos cátions. Seja no porcelanato branco ou no esmaltado, tal adição não altera a viscosidade, aumentando o empacotamento e a resistência mecânica a seco, reduzindo a temperatura máxima de queima, além disso, no porcelanato branco os testes ainda constataram que não há alteração de cor. Essa adição, além de não agregar custos, devolve a massa branca a plasticidade roubada do processo ao retirar-se a argila. Para fomentar ainda mais a discussão, que aponta para um possível futuro da produção de porcelanato no pólo de Santa Gertrudes, Lilian Lima Dias, coordenadora de projetos dão CCB apresentou palestra dobre o “Desenvolvimento de massas de porcelanato via seca formuladas com argilitos da região de Santa Gertrudes”. Apresentando o panorama mundial de produção de revestimentos, ela situou o Brasil como 2º maior produtor e consumidor do mundo, sendo a produção 73% por via seca, processo majoritário em Santa Gertrudes, e 27% por via úmida. Nesse momento, os produtos resultados da produção via seca competem entre si pelo mesmo mercado, o que começa a saturá-lo, sendo que há uma camada de poder aquisitivo superior a espera de produtos com valor agregado, como o porcelanato esmaltado.
Em pesquisa realizada em parceria pelo CCB, T-COTA e CNPq foram catalogadas 25 amostras de argila da região e o material foi submetido ao método padrão da via seca. Foram selecionadas 6 amostras e o resultado foi elevada densidade e resistência mecânica a seco.  Isso indica a possibilidade de utilização da massa desenvolvida com argilas de santa Gertrudes na produção de esmaltados por via seca. Estudos precisam ser realizados para melhorar a fluidez para viabilizar esse processo.  Segundo ela, o mundo aguarda a segunda geração de pisos do polo e ninguém domina a técnica de produção via seca como ele, sendo que a produção de porcelanato base vermelha usando a argila da região constitui a evolução técnica dessa produção. Vale destacar que o processo via seca é a tecnologia mais alinhada as ideias de sustentabilidade, uma vez que gera economia de água e energia. O ponto crítico da técnica é a separação das substâncias que se encontram agrupadas na argila e é preciso tecnologia específica e adequada para separá-las.
Para finalizar o primeiro lote de palestras técnicas do dia, foi a vez de Fábio G. Melchiades, do Centro de Revestimentos Cerâmicos (CRC), que começou trazendo dados interessantes sobre a evolução dos últimos 20 anos da indústria do porcelanato. No Brasil, o porcelanato atualmente representa 16% da produção cerâmica, sendo 85% de esmaltados e 15% de técnicos. Dentre as razões para tal sucesso estão a força da marca criada através do marketing sobre ela, o desempenho, principalmente no que diz respeito a baixa absorção de água, o design com a fabricação de grandes formatos e a cor da massa clara.
Com isso, reiterando a palestra da CCB, é necessário uma segunda geração de revestimentos, ou então ocorrerá uma estagnação no processo atual que produz peças pequenas e de baixo valor agregado. Essa nova geração utilizaria novas técnicas de moagem mais específicas o que possibilitaria tamanhos maiores, mantendo a cor vermelha, mas acrescentando valor a peça. Outra possibilidade seria a produção via seca de massa clara, utilizando ao invés de argila, as matérias primas da massa clara via úmida como argila banca, filitos, e talco, resultando em uma peça que, segundo teste já realizado em produção semi-industrial, torna irreconhecível a diferença entre essa produção e a via úmida de massa branca.
Após elencar as vantagens e desvantagens de cada produção, Melchiades finaliza afirmando que o principal desafio dessas novas técnicas de produção é o processo de granulação.

Fonte: Ainoã Scatolin