Representantes de entidades, governo e mercado revelam suas expectativas para 2015

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Benjamin Ferreira Neto, presidente da ASPACER e do SINCER

Embora concordem que um ajuste das condições macroeconômicas do país é necessário, representantes de associações e do mercado, avaliam que a perspectiva de aumento de impostos, alta de juros e ritmo lento de crescimento da economia farão de 2015 um ano atípico para diversos setores da indústria.

“Nos últimos anos, o setor cerâmico de revestimento tem tido crescimento em sua produção na ordem de dois dígitos. Para 2015, a ASPACER considera que o setor continuará crescendo, porém um pouco acima do crescimento do PIB do país. Portanto, podemos dizer que o crescimento em produção será na ordem de 4% e a expectativa para as vendas é que haja o escoamento da produção” – Benjamin Ferreira Neto – presidente da ASPACER.

“Para o segmento de revestimentos cerâmicos, a expectativa continua a ser de crescimento, mas em proporção menor do que se esperava anteriormente. Há sinais que haverá aumento da produção de porcelanato e queda das importações” – Edson Gaidzinski – presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer)

 “Estimamos que o Produto Interno Bruto (PIB) industrial vai encerrar 2015 com alta de 0,1%, após cair 1,7% em 2014. Esse desempenho um pouco mais positivo na passagem anual, porém, embute apenas uma queda menor da indústria de transformação, que depois de encolher 3,5% em 2014, deve ter queda de 1,1% na geração de riqueza neste ano. Do lado positivo, o destaque deve ficar com a indústria extrativa, que vai crescer 5,2% após alta de 6,6% em 2014” – Paulo Skaf – presidente da Fiesp e do Ciesp

“O SindusCon-SP (Sindicato da Construção) e a FGV (Fundação Getulio Vargas) estimam que a construção brasileira deverá fechar o ano com ligeiro crescimento, entre 0% e 0,5%. O nível de emprego no setor deverá registrar ligeira queda, de 0,3%. No segmento imobiliário, o declínio deverá ser maior, de 1,5%. Para 2015, a expectativa é de que a construção mantenha o nível de atividade atual, sem crescimento. Os condicionantes positivos para o desempenho do setor na política econômica em 2015 serão contrabalançados por outros fatores” – José Romeu Ferraz Neto é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo)

“Admito a possibilidade de alta de impostos no conjunto de medidas necessárias para equilibrar as contas públicas, confirmando as previsões de aperto fiscal em 2015. Mais importante é a gente explicar o que estamos vendo, o diagnóstico, o porquê das medidas. Desde meados do ano passado, todas as pesquisas diziam que as pessoas queriam mudança. Parte dessas mudanças era essa reorientação da economia para trazer mais realidade, mais aderência ao que está acontecendo. E, na parte fiscal, um fortalecimento” – Joaquim Levy – Ministro da Fazenda

“Somente considerando os dias úteis a mais que teremos em 2015, uma inflação setorial de 8% somados ao potencial de consumo, podemos projetar um crescimento real de 6% para o ano que vem. O que está certo é que teremos muito trabalho pela frente e isto não assusta as pessoas que trabalham na indústria e no comércio de materiais de construção. Pelo contrário, isto nos motiva” Cláudio Conz – Presidente da Anamaco.

“Todos os prognósticos apontam para um 2015 de dificuldades, e o fato é que, até o momento, não vimos nenhuma ação concreta ser anunciada para diminuir os custos brasileiros de produção nos próximos meses. Um dos reflexos nefastos dessa situação é que, com essa conjuntura, o setor de transformados plásticos,  um dos maiores empregadores da indústria de transformação, volta aos níveis de emprego de 2012, perdendo todas as vagas geradas em 2013″ – José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

“O ajuste macroeconômico tem que se dar “exclusivamente” pelo lado da despesa. Nesse caso, o desempenho pode até ser um pouco melhor do que em 2014, quando o faturamento do setor caiu cerca de 15%. O empresário acredita que os nomes anunciados dão esperança” –  Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

“A projeção é que após uma alta de 0,3% do faturamento em dólar em 2014, o crescimento da indústria fique levemente acima da expansão esperada para a economia em 2015. Se o país crescer 0,8% vamos crescer algo como 1%, não é nada deslumbrante. “São investimentos essencialmente de modernização neste momento, para manter a operação.” Fernando Figueiredo, presidente-executivo, presidente da Abiquim.

“Depois de um ano ruim, em que o faturamento real deve ter caído algo como 5%, é possível que 2015 traga um avanço modesto, em torno de 1%, do setor. “O perfil da nova equipe econômica sinaliza mudanças importantes, como correção das contas públicas e redução da inflação, mas a preocupação com crescimento não foi abandonada, como sugere a indicação de Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento” – Walter Cover, presidente da Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat)