Os caminhos para a consolidação do mercado livre de gás e os desafios para reduzir o custo do insumo para a indústria estiveram entre os temas discutidos durante a Gas & Energy Week, realizada nesta semana, no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes do setor para debater questões regulatórias, comercialização, infraestrutura e competitividade.
Representando a Aspacer, o CEO, Luís Fernando Quilici, participou do painel “Comercialização de gás, criação de demanda e o novo mercado livre brasileiro”, que discutiu avanços e desafios para a consolidação desse mercado, junto com Juliana Rodrigues, Especialista de Energia na ABRACE, Cristiane Schmidt, Presidente da MS GAS, Lucien Belmonte, Presidente da ABIVIDRO, Jorge A. Ramírez Vera, Líder de Operações na NEG BRASIL, e Carlos Arentz, Consultor da ACELEN, responsável pela moderação do debate.
Durante o debate, Quilici defendeu a aplicação do gas release e o avanço da harmonização regulatória como medidas importantes para ampliar a competitividade. Na avaliação do diretor, no entanto, a redução do preço do gás para a indústria depende de uma análise ampla de toda a cadeia.
“Não há uma ‘bala de prata’ para baratear o custo do gás para a indústria. É preciso atuar sobre os custos da produção, escoamento, processamento, transporte, distribuição e impostos.”
Outro ponto destacado foi a necessidade de maior transparência sobre os custos envolvidos na formação do preço do gás. Segundo Quilici, o valor pago atualmente pela indústria, que chega próximo de US$ 16 a US$ 17 por milhão de BTUs, representa um entrave à competitividade e à retomada da industrialização brasileira.
Para o setor cerâmico, que possui forte dependência do gás natural em seus processos produtivos, o tema tem impacto direto sobre custos, investimentos e capacidade de competição da indústria. Por isso, a discussão sobre o ambiente regulatório e as condições de acesso ao gás permanece entre as pautas acompanhadas pela Aspacer.
O CEO da Aspacer também ressaltou o papel do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) diante dos movimentos recentes relacionados ao mercado de gás, destacando a importância da atuação dos órgãos para o avanço de um ambiente mais competitivo e transparente.