As apostas online passaram a fazer parte da rotina financeira de uma parcela da população brasileira e assumem diferentes significados de acordo com o contexto de vida de quem aposta. Um estudo inédito da ANBIMA, realizado em parceria com a consultoria Kyvo, buscou compreender essas motivações, percepções e comportamentos.
Intitulada Aposta Online no Brasil: perfis de uso, jornadas e padrões de comportamento, a pesquisa identificou quatro perfis principais de apostadores. Entre eles estão pessoas que recorrem às apostas em momentos de dificuldade financeira, aquelas que enxergam nelas uma possibilidade de mudança de vida, usuários que buscam estratégias para complementar a renda e quem aposta principalmente por entretenimento.
Um dos pontos que chama atenção é a proximidade que parte dos entrevistados estabelece entre apostas e investimentos. Dados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro mostram que 20% dos apostadores consideram as bets uma forma de investimento.
A associação, porém, desconsidera diferenças fundamentais entre as duas práticas. Investimentos estão relacionados ao planejamento financeiro, à formação de patrimônio e à avaliação de riscos. As apostas, por sua vez, dependem de resultados incertos e não têm como finalidade a construção de patrimônio no longo prazo.
A pesquisa também identificou a presença de uma linguagem típica do mercado financeiro no universo das apostas, com termos como “estratégia”, “retorno”, “método” e “rendimento”. Essa aproximação pode influenciar a maneira como os usuários interpretam os riscos e tomam decisões sobre seu dinheiro.
O levantamento mostra ainda que a relação com as apostas é influenciada por fatores econômicos, sociais e digitais. As condições financeiras, o ambiente das plataformas e a exposição a conteúdos nas redes sociais participam da construção desse comportamento.
Segundo dados do Raio X do Investidor Brasileiro, 17% da população economicamente ativa realizou apostas online em 2025. A busca por ganhos rápidos aparece entre as principais motivações, especialmente em situações de necessidade financeira.
Para compreender esse cenário, a pesquisa qualitativa ouviu 60 pessoas apostadoras e ex-apostadoras de todas as regiões do Brasil, além de analisar redes sociais, o ambiente digital e percepções de profissionais do mercado financeiro.
Os resultados reforçam a importância da educação financeira e da conscientização sobre riscos, contribuindo para um debate mais amplo sobre as escolhas que envolvem dinheiro, planejamento e bem-estar.
Para a Aspacer, discutir esses temas também faz parte de uma cultura de cuidado com as pessoas. A entidade reconhece que saúde financeira, qualidade de vida e saúde mental estão relacionadas e considera importante ampliar o acesso à informação para que os profissionais do setor possam fazer escolhas cada vez mais conscientes e responsáveis.