O 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento foi organizado por profissionais que desenvolvem importantes trabalhos dentro do setor cerâmico e que buscam a melhora constante dos produtos. O Comitê formado pelo presidente: Anselmo Boschi (Universidade Federal de São Carlos; Mariana Bocato (Cerâmica Villagres); Elisandra Fontana (Cerâmica Delta); Klaus Neumann (Cerâmica Delta); Celso Joaquim (Cerâmica Villagres); Camila Lamberti (Cerâmica Incefra) e Maria Fernanda Rodrigues dos Santos (Coordenadora dos Grupos de Excelência – Aspacer), tornou o Congresso de 2013 com um nível mais elevado, quando comparado ao realizado em 2011.
“O setor cerâmico tem de tomar consciência de que inventou a via seca. Isso porque, em nenhum outro lugar do mundo, encontra-se a argila com a qualidade do polo cerâmico de Santa Gertrudes. A qualidade dos pisos daqui é incomparável. Temos realmente o melhor revestimento via seca do mundo”.
Com essas palavras, o professor e doutor, Anselmo Ortega Boschi, presidente do 5º CICR – Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento marcou o primeiro dia de palestras do evento, realizado na sede da Aspacer.
No primeiro dia do 5ª edição do Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, cerca de 300 pessoas participaram das palestras. No auditório 1, ficaram concentradas as palestras do Painel Qualidade.
Enquanto isso, no auditório 2, as Palavras Técnicas foram proferidas por profissionais conceituados no setor de cerâmica de revestimento.
Yuri Tandel, da Geoinform Ambiental, ministrou a palestra “Sondagem Geofísica aplicada à Mineração” e demonstrou as vantagens das diversas formas de realização deste processo.
Rui Acácio de Lima Neto, da empresa T-Cota Engenharia e Minerais Industriais Ltda, falou sobre o tema: “Controle da qualidade de argilitos para a produção de porcelanatos esmaltados via seca”, que ressaltou ser fundamental a qualidade da matéria-prima no processo cerâmico.
Após a explanação, o professor doutor Anselmo Ortega Boschi, complementou a explicação dizendo que a argila tem a característica perfeita de “plasticidade”.
A empresa Villagres, através de seu profissional Paulo Rossa, discorreu sobre o tema “Massa Porcelanato: Processo Via Seca ou Moagem a Seco de Massas para Porcelanatos” e mostrou as diferenças na fabricação das massas cerâmicas, suas vantagens e desvantagens.
Após um breve intervalo, Fábio Melchiades, analisou através da palestra “Consumo de Gás Natural e Emissões de CO² do Setor de Revestimentos Cerâmicos, e mostrou pontos positivos para a via seca, na comparação com a via úmida. “Imbatível no processo ambiental e economicamente mais viável”.
A empresa Imerys Ceramics, uma das patrocinadoras do Forn&Cer 2013, falou sobre a “Influência do conteúdo da alumina nos caulins utilizados em massas de porcelanatos e esmaltes transparentes” e mais uma vez, ressaltou que “é preciso que os produtos tenham qualidade para atingir o resultado esperado. A demanda pela impressão digital traz maior qualidade para as matérias-primas”.
Ainda incluindo as matérias-primas, Fábio Melchiades falou do tema: “Engobes suscetíveis ao manchamento por exposição à luz solar”, seus desdobramentos e sua incidência no dia a dia da construção civil.
Para encerrar o primeiro dia de palestras, Luciano Luis da Silva, da Endeka Ceramics, falou sobre o tema: “Qual a importância da densidade”? “70% da produção cerâmica é via seca, por isso torna-se fundamental estudar cada detalhe desse tipo de produção”.
Ceramistas devem se preparar para nova Norma de Desempenho
Entra em vigor em julho deste ano a nova Norma de Desempenho para Edifícios Habitacionais (NBR) 15.575, e muitos ceramistas ainda têm dúvidas sobre a aplicação destas regras, foi o que informou o engenheiro civil Luiz Henrique Manetti, da cerâmica Portobello, em palestra proferida no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – realizado durante a Forn&cer 2013, no auditório 1 da Aspacer.
Manetti, que também atuou diretamente na revisão desta NBR, aproveitou para exemplificar a implementação da norma que vem sendo desenvolvida dentro da cerâmica Portobello. Segundo o engenheiro, compartilhar este case desenvolvido com a empresa é uma forma de conferir uma “disputa” leal entre as empresas. “A gente briga na venda, mas na tecnologia não”, destacou Manetti.
Ele explica que a construção e aplicação da NBR foram necessárias devido a uma exigência dos clientes, que estão cada vez mais criteriosos. “Antigamente, um cliente insatisfeito influenciava na perda de outros oito; hoje, com a internet, para cada cliente insatisfeito temos um milhão”, acrescentou demonstrando exemplos de clientes que postaram vídeos na internet denegrindo diversas marcas.
Neste sentido, Manetti ainda aproveitou para comentar as mudanças no mercado, como a inutilização dos emails e crescimento das redes sociais. “É mais provável que uma empresa seja destruída por seus concorrentes emergentes ou por novas tecnologias do que pelos concorrentes tradicionais. Hoje, um cliente deixa de comprar cimento para comprar um celular, por isso é preciso monitorar todos os setores, não somente nossos velhos concorrentes” alertou o engenheiro.
Como setores que devem ser observados pelos ceramistas, ele destaca as cerâmicas extrudadas, laminados melamínicos (fórmica), placas de concreto, vinílicos (paviflex) e papéis de parede, que avançaram com a tecnologia e vem para competir com o mercado cerâmico.
Dessa forma, destaca que a Norma Desempenho vem para melhorar os produtos cerâmicos e conferir padrões de comparação e igualdade entre as empresas, beneficiando – principalmente – o desempenho dos produtos. “É preciso lembrar que qualidade e desempenho são duas coisas distintas. Eu posso ter um produto que tem todas as melhores peças do mercado, mas o desempenho do conjunto não é bom”.
Sobre a Norma de Desempenho, ele esclarece que a definição foi formulada em 2010, entretanto não entrou em vigor por apresentar diversos termos subjetivos e por isso foi para revisão, a qual foi concluída apenas no ano passado e entra em vigor no dia 19 de julho de 2013. “A Norma confere um jeito mais preciso para medir”, destaca.
Manetti elencou os itens que foram alterados pela revisão, dentre eles: o título, a melhoria e ampliação das definições, a compatibilidade com outras normas vigentes, remoção de termos e critérios subjetivos e adequação à diretiva de número dois da ABNT.
De acordo com o engenheiro, os pontos críticos que já estão sendo trabalhados pela Portobello são a publicação e divulgação dos dados técnicos dos produtos, elaboração de um manual do usuário ilustrado, com orientações sobre vida útil e em português.
Mudanças nas Normas ABNT exigem atenção dos ceramistas
Macelo Dias Caridade, do Centro Cerâmico do Brasil (CCB), esteve no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – durante a Forn&cer 2013, para falar sobre as mudanças das Normas ABNT, portarias e regulamentos do Inmetro e seus impactos na certificação de produtos.
Ele explica que o primeiro passo para dar início à avaliação do produto pelo CCB é solicitar a certificação, com o envio da documentação exigida. Dessa forma é feita a verificação do produto, seguida da medição e monitoramento de produção. A emissão do certificado sai após a aprovação, lembrando que o CCB é um organismo de Avaliação da Conformidade acreditado junto a Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro, desde 1996, para a certificação de produtos (desde 1996) e de Sistema de Gestão da Qualidade (1998).
Neste sentido cabe ao CCB realizar os ensaios e análises. “É preciso estar atento às normas para não ser reprovado por coisas simples”, orienta Caridade, que aproveita para informar que a espessura do produto tem reprovado muito material analisado pelo órgão.
Sobre as novidades nas normas da ABNT, ele conta que com a nova regra a amostragem passa de três para seis meses, sendo que a avaliação para recertificação acontece a cada três anos. “É fundamental que se cumpram os prazos”, lembra Caridade que acrescenta: “é começado a cobrar itens que estavam na RAC vigente e não eram cobrados anteriormente”.
Outro detalhe é que as empresas têm o prazo de 15 dias para responder uma solicitação do Inmetro e da CCB. Ainda é obrigatório colocar a certificação na embalagem, lembrando que a publicidade na embalagem acerca do ISO 9001 é proibida.
Caridade diz também que qualquer auditor está proibido de falar o que aconteceu no processo de certificação e não deve instruir a empresa sobre o que deve fazer ou como pode proceder. “É preciso lembrar também para que não se confunda a certificação do sistema com a certificação de produto, são coisas distintas”, conclui o especialista.
Certificações determinam a qualidade dos produtos
Certificação do produto no Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) foi o tema abordado por Ana Paula Menegazzo, do Centro Cerâmico do Brasil (CCB), em palestra proferida no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – na Forn&cer 2013.
Ana Paula explica que a certificação PBQP-H, tem gerado grande confusão entre os ceramistas, por isso esclarece que o programa é um instrumento desenvolvido pelo Governo Federal, com o objetivo de organizar o setor da construção civil e melhorar a qualidade de vida. “O Governo está fazendo uma pressão por qualidade e usa seu poder de compra para que as empresas cumpram as normas”, destaca.
Ligado à secretaria de habitação, o programa busca envolver um conjunto de ações como a avaliação da conformidade de empresas de serviços e obras, melhoria da qualidade de materiais, normalização técnica etc. Com isso, é esperado que aconteça um aumento da competitividade no setor e consequente melhoria da qualidade de produtos e serviços, além de redução de custos e otimização do uso dos recursos públicos.
Para a avaliação no sistema é utilizada a certificação no Programa Setorial de Qualidade (PSQ) – Avaliação da conformidade das placas cerâmicas. Ana Paula apresentou o resultado do último relatório que compreende o período de outubro a dezembro de 2012, no qual 310 empresas do setor foram avaliadas.
De modo geral, as Placas Cerâmicas para Revestimento apresentam apenas 63% de conformidade, enquanto que os Pisos Laminados Melamínicos contam com 90,5% de conformidade. Entretanto, os campeões em conformidade são os tubos de PVC e aço-carbono com cerca de 95%.
Entre os itens específicos, Ana Paula apresenta os dados sobre a absorção de água e mostra que as empresas estão com um bom grau de conformidade, assim como, avaliação carga de ruptura, módulo de resistência à flexão, resistência ao manchamento, resistência ao ataque químico, resistência ao gretamento e determinação da expansão por umidade. Desta forma, os itens estão de acordo com as normas NBR 13818 e NBR.
Ana Paula conclui lembrando que no site do PBQP-H devem ser publicados os nomes das empresas que não estão em conformidade com o programa. Ela explica que o CCB e a Anfacer são contra esta determinação, entretanto, afirma que é uma situação complicada e que provavelmente é “um caminho sem volta”, finaliza.
Destacamento de placa representa 41,7% das reclamações
O destacamento de placas é a reclamação mais frequente registrada pelo Centro Cerâmico do Brasil (CCB), como informou Claudia Gibertoni, durante a palestra “Reclamações dos consumidores finais – patologias mais frequentes”, ministrada no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR).
Gibertoni esclareceu que os dados apresentados não são um retrato do setor cerâmico local, mas um panorama dos atendimentos realizados pelo CCB, que realiza perícias avaliando todo o elo que compreende a fabricação dos pisos cerâmicos.
Segundo ela, as possíveis causas de reclamação de um piso cerâmico podem estar ligadas ao próprio produto, à especificação, ao projeto e execução e ao uso e manutenção. Sobre os defeitos de produto, Gibertoni explica são defeitos de fabricação, enquanto que os erros de especificação acontecem quando o produto não é utilizado no local correto. Já os problemas de execução, são os defeitos de instalação do produto, e a manutenção são equívocos ocorridos no uso do produto.
Dentre estes, o mais frequente é realmente o destacamento da placa representando 41,7% dos atendimentos em 2013, enquanto que o lascamento representou 16,7%, mesmo índice das reclamações de mancha d’água e mancha sob esmalte. Enquanto que a diferença de tonalidade representou 8,3% das reclamações.
A partir destas descrições, a palestrante aproveitou para mostrar aos presentes exemplos verificados pelo CCB em perícias realizadas, através de fotos de arquivo. Em primeiro lugar, os defeitos superficiais, que são reclamações que devem ser registradas antes do assentamento e compreendem o aparecimento de bolhas, diferença de tonalidade e defeitos de esmaltação.
Ainda, os defeitos dimensionais, como diferenças no tamanho e na curvatura. As trincas, que podem ser mecânicas, estruturais ou resultantes de processos falhos no assentamento, secagem ou choque térmico. Na manutenção, está o desgaste das bordas. Já os riscos, podem ser mecânicos ou metálicos, além de oriundos de erros na especificação do produto – no caso de revestimentos utilizados como piso.
O manchamento do piso pode ocorrer por impregnação de resíduos, ataques químicos, mancha d’água ou pigmentação orgânica, além de impregnação de sujidade. O lascamento, acontece a partir da queda de objetos, arraste de móveis ou deplacamento.
A especialista destacou também o aumento na frequência de casos com manchas sob o esmalte. “Começou a aparecer em 2005 e cada vez está mais frequente esta reclamação”, destacou Gibertoni, que também exibiu imagens microscópicas que identificam bactérias que contribuem na alteração física da cerâmica.
Destacamentos
O maior problema atual do setor cerâmico, a especialista enfatizou que o destacamento de placa cerâmica na maior parte dos casos é em virtude de falhas no assentamento. De acordo com ela, “há um desconhecimento das normas de assentamento”, o que resulta em um destacamento completo. A partir de fotos, ela mostrou casos em que não há o amassamento do cordão, permitindo que a argamassa seja preservada no contrapiso, sendo que os pisos se destacam e saem ‘limpos’. “É preciso trabalhar com essa deficiência”, concluiu a técnica do CCB.
Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento continua
O segundo dia da palestras do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento reuniu mais um dia com diversos profissionais das cerâmicas e temas pertinentes ao setor cerâmico.
O Painel Energia Enfoque Tecnológico, trouxe como primeiro tema Economia Energética, da empresa Sacmi, que trouxe alternativas de como reaproveitar o calor no processo de economia de energia. Como reduzir o consumo das linhas de produção, em destaque para atomizador e secador. “É possível economizar energia elétrica, basta estar atendo a cada etapa de produção da empresa. Quem sabe economizar, torna-se competitivo.
A segunda palestra do dia, “Desafios e Perspectivas do Mercado de Energia, através da palestra de Luisa Gentil Blady, trouxe um pouco do cenário energético do país e a alternativa do mercado livre de energia para as empresas, também para o setor de cerâmica de revestimento.
Dando seqüência, Ricardo Miguel e Camila Rodrigues da empresa Capital Energia, falaram sobre o tema “Visão Geral do Mercado Livre do Gás no Estado de São Paulo” e apresentaram a parte burocrática do combustível, enfocando também o polo cerâmico de Santa Gertrudes. Hoje, o gás representa 25% do valor de produção de revestimentos cerâmicos. O presidente do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, professor doutor Anselmo Ortega Boschi, complementou o assunto, afirmando que o importante é compreender o motivo pelo qual se paga muito pelo gás ou pela energia. “Sem essas informações, é impossível fazer a gerência inteligente das contas”.
Seguindo o cronograma do dia, a empresa Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), patrocinadora do Forn&Cer 2013, através de Hudson Brito, ministrou a palestra “Cogeração de Energia e Novas Oportunidades para a Indústria Cerâmica”, um panorama de investimento da Companhia de Gás no estado de São Paulo, além do mapa com a localização dos City Gates das cidades de: Rio Claro, Limeira/Piracicaba, e o novo City Gate em construção na cidade de Iracemápolis. “Dentro de dois ou três meses, as linhas serão interligadas”. Além disso, foi apresentada como alternativa a cogeração, como fonte mais rentável para as empresas.
Gerenciamento de cor auxilia a garantir um bom resultado final
“O gerenciamento de cor ajuda a garantir que a cor produzida seja a mesma que será reproduzida na cerâmica”, afirmou Maíra da Costa, – da Intesa, do Grupo Sacmi, em palestra realizada no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR), realizado no auditório 2.
Maíra mostrou a influencia da luz no resultado final da cor vista pelo observador, da mesma forma que a posição do objeto também faz com que a variação de luz incidente influencie na cor observada. Por isso, a necessidade de uma composição que pense em todos os aspectos que compõem a cor. “O que enxergo é muito maior do que eu consigo reproduzir”, lembra a designer.
Segundo ela, é preciso lembrar que quanto maior a quantidade de tintar utilizadas na composição de um design, melhor o resultado, pois aumenta a gama de reprodução, entretanto, é preciso ficar atento ao processo de fabricação para que as cores fiquem mais próximas do real. “Quanto mais cores no processo, maior a chance de aparecer o efeito metameria, um fenômeno físico que acontece ao expor dois produtos semelhantes a mesma fonte de luz, a cor pode ser igual ou diferente”.
Neste processo, um aparelho que auxilia a definição da cor é o espectofotômetro, como informa Maíra. “Ele é importante para definir se o processo está controlado ou não”, diz a designer, lembrando da necessidade de se ter um preview do resultado final.
Para isso, quando se realizar uma visualização do material é preciso saber a fonte de luz trabalhada, de acordo com Maíra, dentro da Comissão ISO, é seguida a Norma 3664, que define como deve ser o ambiente em relação à luz, intensidade, entorno, paredes etc. “A luz mais indicada para se fazer a avaliação é a D50”, alerta a designer.
Como aliado no processo, à designer destaca o software CRONO, da Intesa – um sistema de gerenciamento de cores e sistema de gestão workflow em uma única solução. O grande destaque é a conversão de imagens originais RGB na sequência de tinta da impressora digital, o que auxilia as empresas que possuem sequencia de tintas diferentes do CMYK.
“O Crono ajuda as empresas que usam muitos tipos de esmaltes para realizar seus projetos, além de pensar na engenharia convencional de perfil sem precisar muito da intervenção do operador”, diz Maíra.
Falha no gerenciamento
A designer também orienta sobre as falhas no gerenciamento de cor, que podem ocorrer em virtude dos perfis de cor de imagem de entrada estarem errados, o monitor estar mal calibrado ou não ter qualidade suficiente para avaliação cromática. Também quando o processo de impressão não está sob controle e é variável, ou as condições de iluminação estão erradas. O perfil de cor do processo de impressão também pode estar errado ou aproximado. “Muitas vezes a culpa é do método e não dos dispositivos”, conclui a especialista.
Penetração da decoração digital no Brasil ainda é baixa
Em palestra ministrada no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – realizado durante a Forn&cer 2013, o especialista Rubén Lleó Nicolás, da Esmalglass-Itaca, destacou a penetração da tecnologia inkjet no mercado emergente, apontando estatisticamente o avanço do equipamento no mundo.
Dados apresentados por Nicolás mostram que 87% das empresas cerâmicas da Espanha já utilizam as impressoras digitais, na Itália o índice é um pouco inferior com 69%, no restante da Europa as inkjets estão em 14% das indústrias. Na China o número chega a 27%, enquanto que no Brasil a marca é de 20%. A surpresa fica por conta da Índia que apresenta o número surpreendente de 62%. “O índice de uso no Brasil ainda é muito baixo”, ressalta o especialista.
Para Nicolás, a decoração digital traz benefícios incontestáveis para o setor desde melhorias estéticas, produtivas, logísticas e econômicas. “Ela permite trabalhar com o relevo, com grandes formatos, impressão em 100% da área, além de melhor imagem, aumentando a definição do produto e permitindo uma maior criatividade”.
Ainda sobre os benefícios, ele apontou a redução no uso de cores e base, o que consequentemente reduz a quantidade de cilindros, facilitando a produção, reduzindo a quantidade de estoque de matéria prima e, portanto, diminuindo o custo do produto final. Na parte logística, a tecnologia permite um ajuste melhor à demanda, também auxiliando na economia.
“A digitalização do setor implicada em diferentes fatos desde o fornecimento de tintas, fabricação de máquinas, esmaltes e o processo de design e software”, diz. Neste sentido, Nicolás destacou o uso das tintas Esmalglass-Itaca como aliadas no processo, oferecendo economia de 18% na produção. “A produção da máquina é maior devido a menor frequência de limpeza exigida pelas tintas Esmalglass-Itaca”, explica o profissional.
Outros benefícios elencados são a estabilidade das tintas com o tempo, certificação de qualidade de cada um dos lotes, além de possuírem ISSO 14000 e embalagens adequadas. “Não conhecemos nenhuma empresa que tenha substituído nossas tintas”, acrescenta Nicolás.
As tintas podem ser encontradas nas cores azul, marrom, amarelo, bege, rosa, preto e branco. Sendo que as tintas são hidrófobas, sem condução elétrica, com cores intensas, mas com palete equilibrado. “A Esmalglass oferece ainda consultoria em desenho, assistência técnica, treinamento e logística”, completou o profissional.
Novas ferramentas do Photoshop CC são aliadas do setor cerâmico
“Antes falávamos da cor sobre o papel, hoje, falamos de tinta sobre qualquer tipo de superfície”, afirmou Alexandre Keese, do Grupo PhotoPro, em palestra realizada no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – durante a Forn&cer 2013.
Especialista no programa Adobe Photoshop (PS), Keese trouxe as novidades da nova versão do programa de edição de imagens intitulada CC (Creative Cloud). Além de inovações no software, o novo PS tem uma novidade única: o funcionamento em nuvem. “Agora não vai ser mais a história de comprar a caixinha com o software e fazer a atualização do programa periodicamente, a atualização será instantânea e será possível acessar o programa de qualquer lugar, de qualquer computador e ainda com as suas preferências”, esclarece o programador.
Entre os benefícios que interessam ao setor cerâmico, Keese elencou a melhoria no suporte para imagem HDR, que capta fotos com alta quantidade de informação das áreas claras a escuras, auxiliando na captação de texturas para cerâmica. “O Photoshop está cada vez mais automático, mas o diferencial da ferramenta é como e onde mexer, isso vai da percepção da pessoa que controla e otimiza o trabalho”, destaca.
Outra “aplicação fantástica”, como disse Keese são as novas facilidades do content-aware, ferramenta que já aparecia no CS6 e vem para o CC com novas funcionalidades que podem ser utilizadas no design cerâmico. “São as ferramentas para correção de perspectiva e orientação e alinhamento, que facilitam o trabalho do designer cerâmico, principalmente para o trabalho com texturas”.
Ele comenta também as ferramentas ‘Câmera Raw filter’ e o ‘Shake redution’, este último que diminui o tremido da imagem, melhorando a qualidade das fotos. “Com as ferramentas do Photoshop algo ruim pode ficar bonitinho, mas uma boa foto pode ficar sensacional”, diz Keese.
Tecnologia digital permite a personalização do produto cerâmico
A decoração digital trouxe novas possibilidades ao setor cerâmico e dentre elas, como destacou Antonelo Soro – da Newton Italia –, durante o 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR), a personalização da mercadoria para atender clientes únicos, que buscam identidade com os produtos.
Segundo Soro, as empresas precisam apresentar algo diferente dos concorrentes, aproveitando as possibilidades permitidas pela impressão digital. Neste sentido, ele introduz os conceitos de ‘Boutique de Design’, que compreende os produtos de luxo, que são personalizados e exclusivos.
“Com a qualidade elevada na estampa permitida pela decoração digital, todos podem reproduzir a natureza, a desvantagem é a facilidade de plágio, por isso que as empresas devem buscar algo personalizado”, diz Soro.
Camila Lamberti, gerente de produtos da Incefra, aproveitou para exemplificar com alguns conceitos do que vem sendo empregado no mercado e que são tendências em feiras em todo mundo. Como as estampas de ‘pseudo natureza’, que reproduzem madeiras, pedras, mármores etc; ainda a ‘nostalgia artesanal’ com estampas de tecido, renda e ladrilho hidráulico – a maior tendência de mercado no momento.
O ‘foto realismo’, que traz imagens de natureza e fotos, além da ‘ultra-personalização’, com formas irregulares, modularização etc. E o ‘minimalismo futurista’, presente no geometrismo, metalizados e espelhados. “Este último ainda encontra um pouco de resistência dos consumidores brasileiros”, comenta Camila.
A gerente orienta também sobre a forma de chegar ao consumidor final. “Não adianta fazer uma pesquisa, desenvolver e chegar ao consumidor de forma errada, é preciso vender uma ideia, uma proposta”, diz Camila destacando a necessidade de mostrar a criatividade da empresa.
Ainda sobre a criatividade, Soro acrescenta que dentro da personalização, é preciso se pensar em um produto globalizado. “Cada mercado tem sua exigência, é preciso conhecer os diferentes produtos e adaptá-los ao mercado”, conclui o especialista da Newton Italia.
Congresso reúne excelentes temas os melhores profissionais do setor
Já o terceiro dia de palestras, trouxe o Painel de Mercado e Palestras Técnicas. O primeiro tema “Investimentos em P&D: uma fonte de sucesso”, apresentou dois profissionais da empresa Innovare – Inteligência em Cerâmica, que demonstraram processos de inovação e como colocá-lo em prática. “O mais importante é fazer um planejamento e se propor a investir, sem aguardar retorno imediato”, afirmou Natália Marin Perez.
A palestra “Um consumidor que escolhe, planeja e faz” da Cristiane Teixeira, da editora Abril, apresentou o tema de maneira descontraída, demonstrando como é o trabalho realizado pela Revista Minha Casa e qual as maiores exigências do consumidor brasileiro. “Hoje em dia os consumidores estão muito exigentes e por isso as matérias-primas também necessitam de muita qualidade, para agradar o público”.
A terceira palestra do dia, contou com a apresentação de Oswaldo Wilhelm Martini, que apresentou um livro fruto da Pesquisa Nacional de Cerâmica – tendências do uso de cerâmica e produtos concorrentes 2013. A Revista Mundo Cerâmica também participou do projeto. A pesquisa foi realizada em 12 grandes cidades do Brasil
Para encerrar as palestras do dia 20, a empresa Serasa Experian, patrocinadora do Forn&Cer 2013, falou sobre o tema: “Os desafios da economia e os impactos sobre a indústria de revestimento cerâmico e sobre as melhores maneiras de investimento.
No terceiro dia do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, no auditório 2, o professor Anselmo O. Boschi destacou as palestras do Painel Decoração Digital como importantes por tratarem da maior revolução que aconteceu na indústria cerâmica nos últimos tempos. “Os equipamentos digitais abrem possibilidades infinitas para o setor”, destacou o professor.
A primeira palestra foi proferida por José Vicente Tomas Claramonte, da empresa KERAjet, que abordou o tema “Tecnologia Inkjet: Presente e Futuro no Setor”. Destacou os benefícios da impressora KERAjet, destacando as possibilidades da tecnologia multicabeçal, para maior qualidade das cores.
Na sequência, Edsel Lonza, da Xaar Innovative Technology, ministrou a palestra “A tecnologia Inkjet aplicada à decoração de peças cerâmicas de revestimento – ênfase na tecnologia de cabeças de impressão”. Edsel aproveitou para elencar os cuidados que devem ser destinados à manutenção dos cabeçais, para evitar alterações de cor ou na qualidade da impressão.
Após a pausa para o café, Fábio Ferrari, da Intesa – Grupo SACMI -, falou sobre “Introdução a Tecnologia Digital INTESA”. Ferrari falou nobre o novo modelo de impressora Colora HD Black e destacou o sistema Hidra, o qual as tintas podem ser colocadas separadamente sem precisar interromper o ciclo de produção.
“Tendências Inovadoras em Decoração Digital”, foi a palestra proferida por Emilio José Estrelles Rufanges, da EFI Cretaprint, que mostrou os benefícios trazidos pela tecnologia digital com redução do tempo de produção e maior variedade gráfica. Além de demonstrar a impressão da marca, que como inovação traz a prova impressa em papel.
Encerrando as atividades do dia, Luciana Maccarini Schabbach, apresentou os resultados obtidos através de uma pesquisa realizada na Università degli Studi di Moderna e Reggio Emilia – UNIMORE, intitulada “Reformulação de um esmalte cerâmicos industrial, utilizando resíduos beneficiados em substituição de fritas e matérias-primas naturais”. Ela mostrou como é possível utilizar o vidro, provindo de televisores de tubo, na formulação de fritas e tintas cerâmicas.
Tecnologia multicabeçote aumenta a qualidade e velocidade da impressão
José Vicente Tomas Claramonte, representante da empresa KERAjet, esteve no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, realizado durante a Forn&cer 2013, para falar das vantagens da impressora da marca, que traz inovações interessantes para o setor cerâmico.
De acordo com Claramonte, o grande diferencial da KERAjet é a tecnologia multicabeçote – que é única no mercado. Com as opções K3, K4, K5 e K6, cada uma apresenta uma especificidade diferenciada.
Como explica o especialista, a K3 permite uma frequência de disparo maior, com 180 dpi, oferecendo mais disparos por segundo, trazendo ainda a opção K3I, com recirculação de tintas. “É o caminho ideal para economia”, acrescenta.
O cabeçote K4 oferece o dobro de resolução, com 360 dpi, com um bom funcionamento. Entretanto, a resolução limita um pouco a velocidade da impressão. Também com a opção K4I para recirculação de tintas.
Já o K5 busca mais descarga de cor, permitindo outras possibilidades e a utilização de tintas especiais, com 300 dpi de resolução. Por fim, o K6 com 400 dpi de resolução. “A tecnologia multicabeçote permite aplicar os efeitos cerâmicos com todas as vantagens da tecnologia inkjet”, ressalta Claramonte.
Segundo ele, esta ferramenta possibilita aumentar o valor agregado dos produtos, simplificar a aplicação de efeitos finais e aumentar a produtividade. “O diferencial é também a assistência técnica 24 horas, que estamos ampliando para todos os países de atuação”.
Além de apresentar sistema de tinta ativo, sistema modular com barras removíveis, sistema de sucção a vapor, tecnologia multientrada, função master slave e gerenciamento de cores integrado. “A máquina é modular, então podemos montá-la com diferentes configurações de acordo com a necessidade; sendo que cada módulo pode suportar duas barras de cabeçote para impressão”.
De acordo com o especialista, a Inkjet apresenta também um sistema ativo de recirculação de tinta própria, patenteado, que garante estabilidade máxima na impressão. Outro destaque é o software próprio de gerenciamento de cores, que apresenta uma tela de ação mais intuitiva, além de atualizações gratuitas, “para que todos tenham a versão mais atualizada do programa sempre”, observa Claramonte.
O professor e doutor Anselmo O. Boschi, aproveitou para acrescentar que a máquina é a responsável por fazer com que os cabeçotes entreguem as cores à peça. “Não é um equipamento de informática, é um equipamento cerâmico e por isso devemos trazer as possibilidades cerâmicas”, enfatiza.
A possibilidade de ter inúmeros cabeçotes foi o item elogiado pelo professor, que disse não haver necessidade em se utilizar os 12 cabeçotes com 12 tintas diferentes, mas aproveitar para usar 12 configurações diferentes, aumentando a qualidade e os detalhes das peças.
Cuidados com os cabeçotes podem evitar alterações de cor
O resultado de uma boa impressão cerâmica pode ser obtida somente através da interação entre os itens básicos que compõem a decoração digital, sejam eles o cabeçote, as tintas, a máquina e a imagem. Conformo explicou Edsel Lonza, da Xaar Innovative Technology, no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – durante a Forn&Cer 2013.
Compreendendo que o resultado positivo é fruto de uma simbiose entre estes itens, Edsel discorre sobre os cuidados que devem ser tomados com cada um dos itens para garantir uma impressão impecável. A parte a ser pensada é o cabeçote, que garante a tonalidade da peça. Para isso, o especialista destaca a importância da limpeza constante dos cabeçotes.
“Além da limpeza é preciso estar atento ao manuseio correto do cabeçote, devemos lembrar que ele funciona a partir de impulsos elétricos”, diz Edsel lembrando a necessidade da limpeza ser feita com um pano que não solte ‘fiapos’, não seja abrasivo, tenha corte a laser e seja feita a limpeza sempre em uma mesma direção, para não danificar o produto.
Ainda o manuseio correto, sendo que o cabeçote deve ser segurado pela lateral e utilizando a luva e a pulseira aterrada a uma mesa. “Uma descarga eletrostática pode queimar o cabeçote”. Segundo Edsel, 35% dos retornos poderiam ser evitados se as providências de manutenção fossem seguidas à risca.
Sobre a tinta, ele diz que a recirculação atenua a sedimentação, mas não resolve o problema caso as tintas já estiverem sedimentadas. “É impossível ter uma boa definição com uma tinta de baixa qualidade”, acrescenta, “o cabeçote pode estar pronto para sair a quantidade de tinta ideal, mas o que influencia é a própria tinta e a imagem proposta”. Outro detalhe é utilizar tintas aprovadas, que possuem waveforms customizados.
Acerca da empresa Xaar, Edsel destaca a tecnologia patenteada do Disparador Lateral Híbrido, no qual o orifício é posicionado perpendicular ao fluxo de tintas através do cabeçote. Além de falar sobre as tecnologias dos modelos GS6 e GS12, no qual o GS6 permite 6-42 picolitros, ideal para sombreamentos em tom pastel e designs detalhados, vistos a curtas distâncias (revestimentos).
Já o GSM12, apresenta 12-84 picolitros, que intensifica as cores proporcionando efeitos mais cheios, possibilitando dobrar a velocidade de impressões com as mesmas cores da GS6, mas com gotas menores, indicada para visualização em longas distâncias (pisos).
Sistema inovador permite reabastecimento de tinta sem interromper produção
Possibilitar o reabastecimento de tinta sem precisar interromper o ciclo de produção é uma das inovações trazidas pela impressora Colora HD Black, da Intesa – Grupo SACMI, como explicou o representante da empresa, Fábio Ferrari, durante o 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – na Forn&Cer 2013.
Segundo Ferrari, o sistema Hidra, presente na Colora HD Black permite a alocação de tintas em compartimentos separados, sendo que a máquina possui dois tanques de armazenamento, no primeiro é enviado para o tanque secundário onde a tinta é aquecida e pressurizada. “Foi incluído um novo sistema de filtragem, mais preciso, com o intuito de inibir riscos causados pela velocidade, temperatura e vapor”, explica o especialista.
Outra novidade é a inversão do ciclo de tinta automático, com um circuito que gera em torno de 42 e 44 graus fixos. “Há um sistema de água que fica na lateral e através de um circuito a água passa em círculo para manter a temperatura da máquina”, conta Ferrari.
Ele lembra que a HD Colora Black tem o funcionamento semelhante do modelo Colora HD2, diferenciando apenas na cor do produto. Entre os benefícios estão o novo software de gestão, soluções técnicas para a área de impressão, novos grupos de alimentação de tinta, motor muito mais preciso para alimentação de tinta, ajustes técnicos específicos para o Brasil e software diferenciado.
“O software foi pensado para o operador, com o intuito de trazer na página inicial as informações básicas, facilitando a visualização e identificação de problemas de forma mais precisa”, acrescenta.
A manutenção também foi facilitada com o novo sistema de barras de cores extraíveis, na qual é possível retirar a barra completa pela parte frontal, tornando a manutenção simples e rápida, e ainda conta com a barra de limpeza com ciclo automático e duplo sistema de aspiração. Outro destaque é o ‘no break’ interno que aguenta de duas a três horas, para evitar a sedimentação das tintas.
Sobre o gerenciamento de cores, Ferrari falou sobre o software CRONO, que em um mesmo equipamento possui um sistema que gerencia as cores e o fluxo de trabalho. Ainda, comentou acerca do Colorscan, um plotter que pode ser utilizado em pequenas produções e apresenta as mesmas características da máquina.
Tecnologia digital reduz os custos de produção
Redução nos custos de produção é apenas um dos atrativos trazidos pela decoração digital para o setor cerâmico, conforme explica Emilio José Estrelles Rufanges, da EFI Cretaprint, que falou sobre esta tecnologia no 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – durante a Forn&cer 2013.
Segundo Rufanges, a tecnologia digital reduz o tempo de produção, reduz a quantidade de estoque, simplifica o armazenamento de matéria-prima, oferece um sistema mais estável, possibilita um menor tempo na troca nas tintas, geração menor de resíduos, além de permitir uma maior variedade gráfica, com decoração até as bordas e com troca de modelo mais fácil.
“A redução nos custos permitida pela tecnologia, faz com que a máquina se pague em sete meses”, avalia o especialista, que vislumbra um crescimento da impressão digital em 2013. “Somente neste ano, foram vendidas 158 máquinas por mês”. Neste sentido, Rufanges lembra que a Índia está com um crescimento superior ao Brasil.
O especialista aproveitou então para comentar as possibilidades trazidas pela impressora Cretaprint C3 EFI, que tem como novidade a utilização de diversos cabeçotes como Xaar, Toshiba e Dimatix. Ela possui tem também como opcional um Fiery proServer, a primeira solução de gerenciamento de cores dedicada ao mercado de cerâmica, redefinindo o design e o processo de produção de cores na área de criação de imagens em cerâmica, o que gera resultados previsíveis, controlados e automatizados.
O software Fiery conta com um dos grandes destaques que é a impressão de provas em papel, o que reduz o consumo de tintas e incrementa a produtividade e a automatização do processo de desenvolvimento. Para o professor Anselmo O. Boschi, a tecnologia da prova impressa em papel é o item mais importante e inovador da marca.
O professor aproveitou também para avaliar o ingresso da tecnologia digital no Brasil, que ainda é tímida, segundo ele alguns ceramistas ainda visualizam a necessidade de preços competitivos em detrimento ao quesito estético. “Temos que estar preparados para decidir se vamos ou não utilizar a tecnologia digital”, pondera o professor da Ufscar, que também é presidente do Congresso.
Reciclagem como aliada na reformulação de matérias-primas
A partir de um projeto desenvolvido na Università degli Studi di Moderna e Reggio Emilia – UNIMORE, na Itália, e na Universidade Federal de Santa Catarina, a pesquisadora Luciana Maccarini Schabbach, apresentou durante o 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – na Forn&Cer 2013, novas possibilidades na composição das matérias-primas.
Luciana apresentou o resultados da pesquisa desenvolvida na Itália e que teve como meta criar uma nova forma de composição para o ‘esmalte couro’, com a finalidade de elaborá-lo utilizando apenas materiais reciclados.
O ‘esmalte couro’, como explica a pesquisadora, utiliza grandes quantidades de chumbo, que é altamente poluente. Para isso, foram utilizados resíduos beneficiados. Este conteúdo foi chamado ‘matrix’, que são escórias de incenerimento pré-tratadas. O ‘matrix’ foi somado a outra matéria-prima, o vidro bonificado.
O vidro bonificado pode ser encontrado no vidro de trás dos televisores de tubo catódico. “É uma forma reaproveitar este material que cada vez mais será descartado no meio ambiente”, comenta Luciana. Este vidro é rico em chumbo e sílica, o que pode substituir a frita do esmalte.
No resultado final da produção, a vantagem deste esmalte sustentável é que o teor de chumbo é 10% mais baixo que o industrial, além de possuir menos sílica em comparação aos esmaltes convencionais. A dilatometria de ambos é semelhante, a resistência ao ataque ácido é maior no esmalte sustentável. “A resistência ao manchamento ainda é um pouco deficiente, mas está sendo trabalhado”.
Segundo a pesquisadora, o esmalte sustentável só tem a agregar à produção industrial, já que, oferece melhor resistência e estética semelhante, tem menor quantidade de chumbo em sua formulação, reduz o impacto da extração e auxilia na reciclagem, já que, utiliza resíduos e vidro bonificado.
O professor e doutor Anselmo O. Boschi complementou as informações, destacando que é importante lembrar que tudo veio da natureza e, portanto, não existe lixo, tudo pode ser reaproveitado. “Estamos gerando lixo e jogando, quando do outro lado podem existir pessoas pagando caro por este mesmo material, é preciso cruzar as informações e saber o que o outro está descartando e podemos utilizar”, concluiu o professor.
Palestras Técnicas e Painel Energia Institucional encerram o último dia de palestras
O último dia do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento atraiu um público modesto, porém a qualidade dos assuntos se manteve igual aos dias anteriores. Reginaldo Medeiros, presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), iniciou o dia com a palestra “Propostas do Fórum do Gás para Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural”. Para Medeiros, o papel do Fórum de Entidades Pró-Gás Natural torna-se fundamental para a criação da Lei do Gás, que trará uma política mais justa para o combustível, que hoje é de coordenação exclusiva da Petrobrás. “Se faz necessário, para que o mercado seja mais competitivo, dentre outras ações, que as Agências reguladoras atuem de forma independente da entidade governamental”.
Para dar prosseguimento e ampliar a discussão do assunto, o Deputado Federal Antônio Carlos Mendes Thame, discorreu sobre as “Políticas públicas e eficiência da matriz energética do setor industrial”. Mendes Thame lidera a Frente Parlamentar Mista Pró-Gás Natural, que conta com a adesão de 213 deputados e 15 senadores. “É necessário que haja incentivos por parte do governo para que haja mudanças de ordem energética no Brasil. Isso se relaciona ao transporte, a investimento em gasodutos. “Paga-se um valor exorbitante pelo insumo, o que colabora para o processo de desindustrialização do Brasil e a perda da competitividade”.
Sobre a exploração do Gás de Xisto, no qual Thame esteve participando no último mês de outubro, junto a entidades e órgãos governamentais, incluindo a Aspacer, o deputado alertou que diferente dos Estados Unidos, no Brasil, o aquífero fica sobre a área de exploração, o que pode ocasionar a poluição das águas, porém poderá trazer para a indústria uma nova opção de combustível.
Dando prosseguimento ao Congresso, Carlos Dalia, da Stavia Stanoski Terraplanagem Pavimentação e Obras Ltda., o tema “Desmonte de Rocha com Explosivos e Serviços de Detonação”, trouxe à tona um assunto pertinente ao setor cerâmico: a argila é um mineral não renovável e se faz necessário se ater a maneira correta de extração para garantir seu suprimento. “Quanto maior planejamento, mais tempo de garantia de fornecimento de matéria-prima para o setor cerâmico”.
Leonardo Aquino de Oliveira explicou através de “cases” de sucesso, como economizar energia, através do reaproveitamento. O tema “Eficiência Energética em Sistemas de Filtração – Filtro Manga”, foi apresentado pela empresa Weg Equipamentos Elétricos e encerrou o último dia do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento.
A importância da NR12
O último dia do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento contou, pela primeira vez na história do evento, com um painel no auditório 2, voltado especificamente aos recursos humanos em empresas cerâmicas.
Tecnologia pode ser aliada para manter as normas de segurança no trabalho
A Norma Regulamentadora Nº 12, mais conhecida como NR12, que define referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção a fim de garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores é uma das maiores preocupações dos setores de Recursos Humanos das Empresas.
Compreendendo esta preocupação, Eduardo Ramalho de Oliveira, da Weg Equipamentos Elétricos – Instrutech, esteve no último dia do 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento (CICR) – durante a Forn&cer 2013, na sala 01, para apresentar possibilidades práticas para garantir a segurança dos funcionários em empresas do setor cerâmico.
Segundo Oliveira, as normas apresentam instruções as quais os funcionários são obrigados a seguir – visando sua própria segurança – e as empresas são obrigadas a oferecer. “Um fiscal tem o direito de interditar a fábrica se apresentar risco ao funcionário. A legislação diz que expor a vida de uma pessoa ao risco pode levar a prisão de três meses a um ano”, explica o especialista.
Ele lembra também que segundo a lei, que uma empresa não pode colocar no mercado no mercado um produto ou serviço que sabe, ou deveria saber, apresenta alta grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. “Por isso não adianta dizer que não sabia do problema, é prevista que a empresa deveria saber”, complementa Oliveira.
O especialista destaca ainda que a NR12 não possui anexos específicos para o setor cerâmico, como acontece em outras áreas, por isso, as regras que valem para os ceramistas são mais rígidas e, portanto, mais seguras. “Se o fiscal vai à indústria e pergunta se o dispositivo de segurança está em determinada categoria, ele vai anotar. O fiscal não é engenheiro e não tem obrigação de entender, vai pedir a documentação e ‘ok’. Mas se houver algum problema, aí sim, isso vai recair sobre a empresa”, comenta.
“Todo equipamento pode falhar, mas tem que ser uma falha segura”, acrescenta Oliveira, explicando que há diversos mecanismos para inibir as falhas, mas que a mais precisa é sempre a mais completa. “Um sistema de segurança é um conjunto de equipamentos interligados para garantir que não aconteçam acidentes”.
Como exemplo de mecanismo, Oliveira esclarece o funcionamento dos relés, que são soluções populares em um sistema de segurança e úteis devido ao crescimento na emissão de normas que exigem maiores cuidados. “É preciso lembrar que um relés convencional não pode ser um relés de segurança, o mecanismo é diferente”.
Os relés da Weg, como explica o especialista são equipamentos que fazem a supervisão de circuitos que garantem a segurança do equipamento/sistema e do operador, sendo projetados para atender as mais atualizadas normas de segurança, sempre com o objetivo de obter o máximo de eficiência e confiabilidade em um só produto.
Boa convivência da equipe pode ser obtida com a compreensão de gerações
Conseguir conciliar diferentes personalidades em uma mesma equipe é um dos maiores desafios dos setores de Recursos Humanos e dos gestores das empresas. Como recurso para compreender as diferenças e aprender a lidar com as situações, a psicóloga Sandra Regina do Nascimento Pereira, da S&A Consultoria Treinamento e Avaliação Psicológica, falou sobre as características das gerações, durante o 5º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento.
Sandra esclareceu que as gerações são contextualizadas de acordo com a história da humanidade e caracterizou os perfis como: Boomer – nascidos antes de 1945; Baby Boomer – nascidos entre 1946 e 64; Geração X – de 65 a 77; Geração Y – de 83 a 94; Geração Z – nos anos 90; e Geração Alfa – a partir de 2010.
“Os Boomers são a geração que enfrentou a guerra e grandes dificuldades, por isso são disciplinados, leais, práticos, respeitam a autoridade, são austeros e tem como objetivo a paz e prosperidade nacional”, explica a psicóloga.
Já a geração Baby Boomer, faz parte da época do fenômeno social, logo após a guerra. Buscam empregos fixos e estáveis, são otimistas, criaram as mudanças sociais e reconhecem o tempo de serviço em vez da capacidade de inovação.
Sandra diz que a geração X vem de outras condições materiais, portanto pensam em uma qualidade de vida diferenciada. “Essa geração vivenciou no Brasil as ‘Diretas Já’ e a ditadura, enfrentou crises como desemprego, é cética e superprotetora, além de possuir receio em perder o emprego e possuir uma posição crítica em relação aos jovens”.
A geração Y foi concebida na era digital, portanto não precisou dominar a máquina, já nasceu convivendo com a televisão e o computador, são acostumados a pedir e ter o que querem, possuem valores éticos fortes, são multi-tarefas, muito exigentes, ávidos por inovação, individualistas e preocupados com o meio ambiente.
A geração Z possui as características bastante semelhantes às da anterior, entretanto, com algumas um pouco mais acentuadas, por terem nascido na era da informação. Então, não se prende a lugar nenhum; deixam de dar valor às coisas rapidamente, são imediatistas e impacientes, além de anti-sociais e individualistas.
Sobre a descrição das gerações, Sandra avalia que é possível identificar o choque entre as pessoas nascidas em diferentes épocas e perceber os motivos da falta de comunicação entre elas. “Enquanto a geração X tem medo de perder o emprego, a Y acredita que o emprego pode estar em qualquer lugar”, diz comparando as duas gerações que mais estão presentes no mercado de trabalho atualmente.
“Para a geração X a reputação da empresa é mais importante que o salário, além de serem fiéis ao trabalho, enquanto que a Y valorizam a perspectiva de crescimento dentro da empresa e o salário, além de possuírem a mente aberta a novidades e estarem sempre buscando novos desafios”, exemplifica a psicóloga.
Como forma de ampliar o diálogo e compreender as diferenças, ela sugere a aplicação de algumas perguntas básicas: “Sua empresa faz parte de qual geração? Qual característica prevalece? Que tipo de funcionário a empresa quer receber?