Boom de materiais passou, diz Saint-Gobain

Postado em Construção

O ano passado foi marcado por um grande crescimento do varejo de materiais de construção, motivado pela vontade do consumidor de investir na própria casa, em meio à pandemia. Esse boom já passou, afirma Javier Gimeno, presidente da Saint-Gobain para a América Latina.
A companhia cresceu 40% no país em 2021, ultrapassando o valor recorde de R$ 15 bilhões em faturamento. Neste ano, a expectativa é crescer bem menos, por volta de 15% no Brasil e 20% na América Latina. A meta tem sido cumprida: nos primeiros seis meses, a região elevou suas vendas em 15,8%.
Além da alta base de comparação, o motivo para o crescimento menor é a desaceleração das vendas do varejo. O Brasil é o único país da região no qual a Saint-Gobain tem um braço de vendas ao consumidor, e isso deve puxar seu desempenho para baixo, aponta Gimeno. “Temos basicamente negócios industriais [nos outros países], isso fez com que o crescimento do 1º semestre fosse mais forte do que no Brasil”, diz.
A Saint-Gobain atua no país com marcas como Brasilit, Quartzolit, Cebrace, Telhanorte e Tumelero, as duas últimas de varejo.
A inflação e a taxa de juros ainda altas no Brasil estão prejudicando o poder de compra do consumidor, explica o executivo. Gimeno aponta ainda que o varejo passa por momento de transição. Cerca de 15% das vendas da multinacional no país são via ecommerce, mas essa parcela deve subir para 30 ou 40% em três ou quatro anos.
Por ora, a expansão do varejo do grupo se dará pelos meios digitais. “Não vamos lançar novas lojas no curto a médio prazo, porque o mercado está plano, não dá para investir”, diz. A empresa também não planeja operar com varejo em outros países da América Latina. O valor comercializado no segmento de varejo se manteve estável, afirma Gimeno, mas a quantidade de vendas realizadas caiu. O que salvou o resultado foi o aumento do ticket médio.

Fonte: Valor Econômico

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