A redução da oferta de gás boliviano impôs um novo cenário de incerteza para a indústria de cerâmica de revestimento no Brasil. Com declínio acelerado de suas reservas, a YPFB projeta uma queda de 30% nas exportações do insumo para 2026, gerando um sinal de alerta sobre a disponibilidade e o custo da energia térmica para o parque fabril nacional. Os dados contemplam tanto os contratos firmes quanto os volumes exportados na modalidade interruptível, no mercado spot, e integram o relatório de prestação de contas divulgado pela companhia na semana passada.
De acordo com dados da estatal boliviana, a média de envio ao mercado brasileiro deve recuar para 9,11 milhões de m³/dia este ano, um volume que evidencia o esgotamento das reservas provadas, que encolheram 58% desde 2017. A gravidade da crise produtiva no país vizinho é tamanha que a capacidade de exportação pode se esgotar completamente até 2030, caso novos investimentos em exploração não sejam viabilizados em caráter de urgência.
Embora o setor ceramista observe a transição para o gás argentino como uma alternativa estratégica, o fluxo via Vaca Muerta ainda é considerado marginal, com previsão inferior a 500 mil m³/dia para 2026. Essa limitação logística e produtiva mantém a pressão sobre os comercializadores privados que abastecem o mercado brasileiro, impactando diretamente a previsibilidade de custos para os fabricantes de revestimentos.
O segmento já monitora os desdobramentos com cautela, uma vez que o gás natural representa um dos principais componentes na estrutura de custos de produção. A escassez do insumo boliviano, somada à lenta maturação das rotas alternativas, tende a elevar a volatilidade dos preços, desafiando a competitividade das exportações brasileiras e o ritmo de recuperação das vendas no mercado interno.