O Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) realizou neste mês a última reunião plenária do ano, para apresentar as realizações e as perspectivas do setor.
Representando o setor imobiliário, Celso Petrucci, chefe no Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (Secovi), disse que 2021 está sendo um ano difícil para se fazer previsões, em função de todo cenário econômico, com a atual taxa Selic de 9,25%, tendendo a 11% ou 12% para 2022. “A taxa de financiamento imobiliário já subiu a 1,5 ponto, com projeção de que suba um pouco mais no início do próximo ano, além da questão das eleições, que influencia o debate político”.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) consolida os números do mercado imobiliário em praticamente 40% no país, que são as 162 cidades mais representativas do Brasil. De acordo com Petrucci, “teremos o melhor ano em número de unidades lançadas e vendidas desde 2016, apesar da percepção do terceiro trimestre apontando uma queda tendo como principal fator o aumento dos insumos”.
Segundo a Secovi, o Programa Casa Verde e Amarela foi afetado, em relação ao que vinha acontecendo até o segundo trimestre de 2021. “Mesmo sabendo que vamos ter o melhor ano com indicadores nacionais em lançamentos e vendas, já acendemos uma luz de alerta pela perda da força do Casa Verde e Amarela em algumas praças. Essa perda acontece em mercados onde o poder de compra (afordability) – que caiu para todo mundo, principalmente, nas regiões mais pobres do país -, é mais baixo. As medidas tomadas pelo Governo Federal poderão voltar a dar um gás no programa, mas essa curva de aumento de insumos dá a impressão de que ainda haverá mais perda na participação no mercado imobiliário nacional”, pondera Petrucci.
Com base nessas 162 cidades, de tudo que é vendido no Brasil no mercado imobiliário, 75% são unidades produzidas pelo Programa Casa Verde e Amarela, e 25% por mercados para a classe média baixa, classe média e outros. Outro paradoxo acontece na cidade de São Paulo, onde o ano de 2021 vai apresentar um número recorde de unidades lançadas (até 70 mil), com uma constatação sobre a queda do Casa Verde e Amarela, que em São Paulo ainda não aconteceu.
Petrucci revelou que a projeção para 2022 é difícil, “mas imaginamos um ano com um pouco menos de vendas tanto no Casa Verde e Amarela quanto nas mercadorias de médio, alto e altíssimo padrão”. Embora haja muitos empreendimentos de luxo em construção, com mais de 50% de vendas nos plantões, por outro lado, a produção da indústria da construção civil – com o crescimento do PIB muito forte em 2021 e com um 2022 com essa tendência, com o melhor ano de lançamento desde 2016 – “vamos ter novas obras se iniciando, o que vai propiciar a contramão do que desponta o cenário econômico na absorção de mão de obra já existente e, possivelmente, na criação de novos empregos no segmento imobiliário”.
Para 2022, a Secovi não está projetando queda e nem crescimento no mercado, “vamos ter um ano de recordes, mas os números estarão próximos aos de 2020 e 2021.
Não estamos otimistas para o ano que vem”, conclui Petrucci, indicando que os dados podem se manter os mesmos para o ano que vem.