Nesta quinta-feira, 17 de setembro, a sede da Aspacer, em Santa Gertrudes (SP), recebeu em formato híbrido uma reunião conjunta com representantes do Conselho da entidade, da Diretoria do Sincer, associados da Anfacer, do Ministério de Minas e Energia (MME) e de empresas do setor cerâmico. O encontro teve como principal objetivo discutir as oportunidades, impactos e regras propostas para o primeiro leilão de gás natural da União, após o encerramento, na segunda-feira (14), da consulta pública que tratou da regulamentação do certame.
A reunião contou com a participação de Marcello Gomes Weydt, diretor do Departamento de Gás Natural do MME, além de representantes das empresas Cerâmica Alfagrês, Cerâmica Carmelo Fior, Biancogres, Cerâmica Villagres, Dexco, Grupo Almeida, Grupo Formigres, Grupo Lef, Grupo Rocha, Incepa, Mohawk Brasil, Savane Porcelanato e Viva Cerâmica.
Previsto para outubro, o primeiro leilão deverá disponibilizar aproximadamente 1 milhão de m³ de gás natural por dia. A proposta estabelece a divisão da oferta em diferentes lotes e regras para evitar a concentração de todo o volume em um único grande consumidor.
A iniciativa faz parte da estratégia do governo para ampliar o acesso da indústria ao gás natural e estimular a oferta de uma molécula a preços mais competitivos, com potencial para impulsionar novos investimentos e ampliar o consumo industrial. Entre os setores contemplados estão as indústrias química e petroquímica, de fertilizantes, siderúrgica, metalúrgica e de mineração, além dos segmentos de vidro e cerâmica.
Para o setor cerâmico, o tema é especialmente relevante. O gás natural é um dos principais insumos energéticos do processo produtivo e representa, segundo o setor, entre 30% e 35% do custo de produção. Dessa forma, a possibilidade de acesso a uma molécula mais competitiva pode contribuir diretamente para a redução dos custos e para o fortalecimento da competitividade das empresas, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Além do impacto direto sobre a indústria, uma matriz energética mais competitiva pode favorecer novos investimentos e o fortalecimento da cadeia da construção civil, na qual os produtos cerâmicos têm participação significativa.
Tão logo o Edital da PPSA saia, a ASPACER e o SINCER realizarão nova reunião conjunta para definição de estratégias para a participação do setor no leilão.
A participação da Aspacer, do Sincer e da Anfacer nas discussões com o MME integra a atuação institucional das entidades no acompanhamento de temas estratégicos relacionados à competitividade e aos custos energéticos. O alinhamento reforça a importância de o setor acompanhar de perto as próximas etapas de regulamentação e operacionalização do leilão, assegurando acesso efetivo ao gás, previsibilidade e condições de preço compatíveis com as necessidades da indústria.
O primeiro certame também será uma oportunidade para avaliar, na prática, o funcionamento do novo modelo de comercialização do gás natural da União. A iniciativa integra uma série de leilões de curto prazo previstos até 2030, que antecederão a implementação dos chamados leilões estruturantes de longo prazo.
