Cury enfrenta atrasos em obras em meio ao aquecimento do mercado imobiliário 

Postado em Mercado

A Cury Construtora enfrenta atrasos na entrega de alguns empreendimentos em um cenário de forte aquecimento do mercado imobiliário. Cinco dos 87 canteiros mantidos pela empresa já ultrapassaram o prazo de entrega, considerando a tolerância de seis meses, enquanto outros quatro projetos apresentam execução abaixo do cronograma e podem também ter os prazos comprometidos. 

Segundo a companhia, a principal dificuldade está na contratação de mão de obra e equipamentos, diante do aumento da demanda no setor. O copresidente da Cury, Paulo Curi, afirmou que a empresa não conseguiu recuperar o atraso provocado pelo cenário de maior procura, impactando o andamento de alguns empreendimentos. 

O movimento ocorre após uma expansão significativa da construtora. Entre 2020 e 2025, o número de projetos lançados anualmente pela Cury passou de 17 para 37, enquanto a quantidade de apartamentos lançados saltou de aproximadamente 8,2 mil para 26,4 mil unidades. Especializada em empreendimentos vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida, a companhia acompanhou a melhora das condições de contratação do programa e o crescimento da demanda. 

Os cinco empreendimentos que já ultrapassaram o prazo de entrega representam cerca de 2 mil apartamentos, com valor estimado em R$ 600 milhões em vendas. Para fazer frente aos impactos dos atrasos, a companhia precisou constituir provisões para indenizações e despesas adicionais de manutenção, com reflexos sobre seu balanço. 

Apesar dos desafios, a Cury registrou lucro líquido de R$ 270,5 milhões no segundo trimestre, alta de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também afirma que sua área de engenharia vem apresentando ganhos de produtividade e trabalha para recuperar o cronograma dos quatro empreendimentos que ainda estão em situação de risco. 

O cenário evidencia um dos efeitos do atual aquecimento do mercado imobiliário: o aumento da demanda e do volume de lançamentos também amplia a pressão sobre mão de obra, equipamentos, fornecedores e capacidade de execução. Para o setor da construção civil, o equilíbrio entre expansão, produtividade e disponibilidade de recursos se torna cada vez mais importante para garantir o cumprimento dos cronogramas e a entrega dos empreendimentos.