Mulheres buscam vagas na construção civil, mas permanência no setor ainda enfrenta barreiras

Postado em Construção, Indústria

As mulheres ainda ocupam uma parcela tímida dos postos de trabalho na construção civil brasileira. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elas representam apenas 11,5% da mão de obra formal do setor, o equivalente a cerca de 340 mil trabalhadoras. Apesar disso, o interesse feminino pela construção vem crescendo, impulsionado pela busca por autonomia, independência financeira e novas oportunidades profissionais. É o que revela a primeira Pesquisa IMEC 2026, realizada pelo Instituto Mulher em Construção com ex-alunas dos cursos promovidos no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

O levantamento mostra que 72,8% das participantes procuraram os cursos para aprender a fazer reformas em suas próprias casas, reduzindo a dependência de terceiros, enquanto 28,5% buscavam uma oportunidade de ingressar ou mudar de carreira — percentual que chega a 50% em São Paulo. A formação gera resultados concretos: 90% das entrevistadas já aplicaram os conhecimentos adquiridos na prática, 41,4% afirmam que aumentaram sua renda após o curso, 15,7% passaram a exercer alguma atividade remunerada e 6,7% conquistaram um emprego com carteira assinada.

O estudo, no entanto, mostra que o maior desafio começa justamente depois da qualificação. Atualmente, apenas 20,1% das participantes trabalham na construção civil, índice que sobe para 40,8% em São Paulo, onde os cursos têm maior foco na empregabilidade. Entre aquelas que deixaram a área, 30% apontam o preconceito e a resistência à presença feminina como a principal barreira para permanecer na profissão. Também aparecem entre os principais obstáculos a dificuldade de conciliar trabalho e responsabilidades familiares (19,2%), a falta de oportunidades de contratação e, especialmente em São Paulo, relatos de assédio e importunação no ambiente de trabalho. Os resultados indicam que o desafio da construção civil não está apenas em atrair mulheres para o setor, mas em criar condições para que elas construam uma carreira duradoura em um mercado que ainda é predominantemente masculino.