Ao discursar nesta semana, no lançamento do Programa Acredita, no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que um dos pilares do pacote de medidas anunciado pelo Governo Federal é fomentar o crescimento da construção civil e do setor imobiliário no Brasil.
Segundo ele, no que se refere a crédito imobiliário, o Brasil ainda está distante dos patamares experimentados pelos países desenvolvidos e encontra-se aquém das nações que estão no mesmo nível do Brasil. Nesse sentido, permitir uma ampliação do crédito imobiliário é uma das metas do Acredita. “Tem países do mundo que têm de crédito imobiliário de mais de 100% do seu PIB. Tem países que têm de 70% a 90% do seu PIB em crédito imobiliário. Países pares do Brasil têm entre 25% e 30% de crédito imobiliário. Nós temos 9% de crédito imobiliário. Um terço dos nossos pares”, ressaltou o ministro.
“Nós podemos alavancar muito o crédito imobiliário. Nós podemos efetivamente ter um novo mercado imobiliário no Brasil com um potencial de crescimento que, se nós trabalharmos bem, e faremos isso, vamos atingir patamares elevados de desenvolvimento, geração de emprego e renda e casa própria barata”, prosseguiu Haddad.
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Tendo como público-alvo o setor imobiliário e de construção civil, o Acredita criará um mercado secundário de crédito imobiliário mais robusto para potencializar esse setor no Brasil. Essa ação deverá beneficiar especialmente as famílias de classe média que não se qualificam para programas habitacionais populares, mas para quem o financiamento a taxas de mercado é muito caro.
A iniciativa visa estimular o setor da construção civil e promover a geração de emprego, renda e crescimento econômico, de modo a impactar positivamente o mercado imobiliário brasileiro. O papel da Empresa Gestora de Ativos (Emgea) para atuar como securitizadora no mercado imobiliário será expandido com a criação do mercado secundário para crédito imobiliário.
Isso permitirá que os bancos possam aumentar as concessões de crédito imobiliário em taxas acessíveis para a classe média, suprindo a queda da captação da poupança. Ao permitir a securitização, os bancos abrem espaço em seus balanços para liberar novos financiamentos imobiliários.
Presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia, Rubens Menin esteve presente ao lançamento do Programa Acredita e disse estar otimista com a série de medidas apresentadas, em especial para o setor da construção civil.
“Nós não geramos só desenvolvimento econômico, também desenvolvimento social. O setor está muito confiante, acreditando muito na indústria da construção. Esse programa tem um componente importante, um inimigo comum, que são os juros elevados. Ele pega todos, desde a nossa pequena empreendedora, a média empreendedora, as grandes empresas. É impossível competir com juros do tamanho que eles estão no Brasil. Temos que trabalhar todos juntos para que isso minimize. Esses programas vieram numa hora muito boa, porque esses momentos onde os juros são extremamente elevados penalizam muito as pessoas. E agora elas vão ter um acesso a uma linha de crédito melhor. Então, eu estou otimista”, elogiou.