Depois de atingir o melhor ano do setor, os fabricantes de revestimento cerâmico estão bem menos otimistas e trabalham em 2022 para, no melhor cenário, empatar com o ano passado. Em 2021 a produção, vendas no mercado interno e exportações atingiram valores recordes, puxados pelo grande volume de lançamentos das incorporadoras e pela continuidade do fenômeno das reformas residenciais, que surgiu com o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 ainda em 2020.
As cerca de 60 empresas que atuam no setor, dos mais variados tamanhos, produziram 1,048 bilhão de metros quadrados (m2) em 2021, alta de 24,8% sobre o ano anterior. As vendas totais somaram 1,032 bilhão de m2, expansão de 12,2%. Como outros setores da indústria, os fabricantes de revestimento cerâmico paralisaram a produção nos primeiros meses do surgimento da pandemia em 2020. Entre março e maio daquele ano, perto de 95% da produção ficou parada. A retomada veio no segundo semestre embalada num primeiro momento justamente pelo consumo “formiguinha” das reformas residenciais.
“E o grosso ainda é o residencial”, afirma Benjamim Ferreira Neto, presidente do conselho de administração da Anfacer, entidade que representa o setor. “Tivemos um 2021 que se equiparou com 2014, nosso melhor ano”, completou. No terceiro trimestre do ano passado, o setor chegou a trabalhar com 100% da sua capacidade. A entidade não informa faturamento, mas o setor responde por 6% do PIB da indústria de material de construção civil. “Não temos números exatos, mas falamos em dezenas de bilhões de reais de receita total do setor”, admite Ferreira Neto.
Além dos recordes de desempenho, o ano passado foi marcado por inflação de custos, principalmente gás e energia elétrica, responsáveis por 40% do custo da produção, e embalagens, e escassez de insumos em alguns momentos. O dirigente garante que não houve paralisações generalizadas por falta de insumos, mas casos isolados. “O gás tem reajuste trimestral. As embalagens mais do que dobraram de valor no ano.”
E a pressão de custos deve continuar neste ano, novamente puxada pelo gás e energia elétrica. Ferreira Neto afirma que a Petrobras não permitiu a abertura do mercado de gás como prometido e por falta de concorrência a estatal ainda dita os preços do insumo.
Revestimento cerâmico vê 2022 com vendas estagnadas
Fonte: Valor Econômico