Juros altos e custos elevados mantêm pressão sobre a construção civil

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A indústria da construção encerrou o segundo trimestre de 2026 ainda sob forte pressão financeira. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostra que as empresas seguem insatisfeitas com suas condições financeiras, reflexo do elevado custo do crédito e do aumento das despesas com mão de obra, insumos e matérias-primas.

Segundo a sondagem, o índice de satisfação com a situação financeira ficou em 45,2 pontos no segundo trimestre de 2026, enquanto o indicador de lucro operacional atingiu apenas 41,7 pontos. Ambos permanecem abaixo da linha de 50 pontos, que separa satisfação de insatisfação. Os juros elevados permanecem entre os principais entraves para o setor, comprometendo o acesso ao crédito e reduzindo as margens de lucro das empresas. A CNI também destaca que a escalada dos custos foi intensificada pela alta dos preços de insumos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e cadeias de suprimento. Em junho, a atividade da construção voltou a recuar, assim como o número de empregados, embora a utilização da capacidade instalada tenha permanecido estável em 67%.

Para a indústria de revestimentos cerâmicos, esse cenário merece atenção. A construção civil responde pela maior parte da demanda por pisos e revestimentos, tornando o desempenho do setor determinante para toda a cadeia produtiva. Em um momento em que o Brasil ainda enfrenta um expressivo déficit habitacional e demanda crescente por infraestrutura, estimular investimentos, ampliar o acesso ao crédito e reduzir o custo do capital são medidas que beneficiam não apenas as construtoras, mas toda a indústria de materiais de construção.