O crescimento acelerado das plataformas de apostas esportivas no Brasil começa a produzir efeitos concretos sobre a economia real. Levantamento inédito da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que cerca de R$ 143,8 bilhões deixaram de circular no comércio nos últimos dois anos em função do aumento dos gastos com bets . Para se ter dimensão do impacto, o valor equivale ao faturamento do varejo em períodos estratégicos do calendário, evidenciando uma mudança relevante no padrão de consumo das famílias brasileiras.
Além da retração no consumo, o estudo destaca efeitos sobre o endividamento. Os dados indicam que o avanço das apostas tem contribuído para o aumento da inadimplência, especialmente entre famílias de menor renda, onde o impacto é mais intenso e disseminado. O levantamento também aponta que bilhões de reais passaram a ser direcionados mensalmente para esse tipo de gasto, reduzindo a capacidade de consumo em outros segmentos da economia e pressionando o desempenho do varejo .
Esse cenário já começa a preocupar cadeias produtivas mais sensíveis ao ciclo de consumo, como a construção civil e a indústria de materiais. No caso do setor cerâmico, que depende diretamente da demanda por reformas e novos empreendimentos, a redução da renda disponível das famílias pode se traduzir em menor ritmo de vendas e adiamento de obras. Diante disso, o avanço das apostas passa a ser observado não apenas como um fenômeno comportamental, mas como um fator econômico relevante, com potencial de impactar a dinâmica de setores industriais estratégicos no país.