As empresas que acessaram o mercado de capitais para emitir dívida em 2021 aproveitando o cenário favorável de Selic muito baixa verão seus custos com despesas de juros quase dobrar em 2022. Isso porque, dos R$ 250 bilhões de recursos captados no ano passado por meio de emissões de debêntures, 76% estão atrelados ao CDI. Esse custo mais alto ainda não coloca em questão um risco de solvência para as companhias – que, na maior parte dos casos, ainda exibem um nível de alavancagem baixo. Mas certamente afetará a rentabilidade das empresas, com efeito direto sobre o lucro e, consequentemente, sobre a capacidade de crescimento no médio prazo.
“O que o juro mais alto provoca é uma redistribuição do resultado, que antes ia para o acionista e, agora, vai também para o credor”, afirma o sócio-gestor da JGP Alexandre Muller.
Para estimar o impacto da alta da Selic, que começou 2021 em 2%, o gestor olhou para a evolução da dívida das empresas que compõem o IDEX-CDI, índice criado pela JGP que reúne as debêntures atreladas ao CDI com boa negociabilidade no mercado. Levando-se em conta um CDI médio de 4,46% no ano passado, o custo efetivo de juros dessas empresas ficou em R$ 6,68 bilhões em 2021. Se a Selic subir para 12%, como prevê o mercado, o CDI médio neste ano passaria para 12,31%, elevando o custo desse grupo de empresas em 84%, para R$ 12,31 bilhões em 2022.
Alta da Selic faz disparar custo de dívida para companhias
Fonte: Valor Econômico