Dexco registra prejuízo de R$ 142 milhões no terceiro trimestre e conclui ajustes em suas operações

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A Dexco, grupo que reúne marcas como Deca, Hidra, Portinari e Ceusa, registrou prejuízo líquido de R$ 142 milhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado foi impactado, principalmente, pelos custos relacionados à reestruturação de suas operações, que envolveu o fechamento e a venda de cinco fábricas no Brasil nos últimos anos. As informações foram publicadas pelo Estadão, em reportagem de Circe Bonatelli, reproduzida pelo Jornal da Região.

Em entrevista à Broadcast, o presidente da companhia, Raul Guaragna, afirmou que a empresa concluiu um ciclo de ajustes de capacidade produtiva e reposicionamento estratégico. Segundo o executivo, as mudanças foram necessárias para adequar a estrutura da Dexco a um cenário de menor demanda por materiais de construção, juros elevados e consumo enfraquecido. A estratégia também busca reduzir estoques, ampliar a geração de caixa e diminuir o endividamento.

No segmento de revestimentos cerâmicos, a reorganização envolveu a venda da unidade de Urussanga (SC) e a redução de três para duas unidades fabris, localizadas em Criciúma (SC) e Botucatu (SP). Esta última foi inaugurada em 2025, com equipamentos mais modernos. Já na área de louças sanitárias, a companhia concentrou a produção na unidade de Jundiaí (SP), após encerrar as atividades de quatro fábricas, incluindo a unidade de Cabo de Santo Agostinho (PE), fechada recentemente.

Estratégia prioriza produtos premium e rentabilidade

De acordo com Guaragna, além da demanda mais fraca por materiais de acabamento, a concorrência acirrada e a pressão sobre os preços dos produtos de entrada influenciaram as decisões da companhia. Diante desse cenário, a Dexco passou a priorizar itens do segmento premium, com maior valor agregado e margens mais favoráveis.

O reposicionamento, porém, também representa uma redução do mercado consumidor atendido pela empresa, uma vez que os produtos de entrada ainda correspondem a uma parcela expressiva das vendas de algumas categorias. A companhia avalia que a estrutura de custos atual permite concentrar esforços em produtos com maior rentabilidade, mesmo diante de volumes menores.

Além dos efeitos da reestruturação, que geraram perdas de R$ 118,4 milhões no trimestre, o resultado foi impactado pelo reconhecimento de uma perda de crédito de R$ 20 milhões relacionada à Bartira, fabricante de móveis pertencente ao grupo Casas Bahia e em recuperação judicial.

Redução da dívida está entre as prioridades

A Dexco também trabalha para reduzir sua alavancagem financeira. Ao final do terceiro trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda estava em 2,36 vezes, abaixo da faixa de 2,5 a 2,7 vezes projetada anteriormente para o encerramento de 2026. A meta de longo prazo é levar o indicador para menos de duas vezes, embora a empresa não tenha estabelecido um prazo para atingir esse patamar.

Nos primeiros nove meses do ano, a geração de caixa livre da companhia somou aproximadamente R$ 990 milhões. Segundo o presidente, os recursos serão utilizados para reduzir a dívida bruta e, consequentemente, as despesas financeiras.

Os resultados e as mudanças na estrutura da Dexco refletem um cenário desafiador para o mercado de materiais de construção e acabamento, marcado por demanda mais contida, concorrência e necessidade de adequação da capacidade produtiva.