A Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento (Aspacer) promoveu, em 29 de setembro, uma reunião com o diretor-presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA), Luis Fernando Paroli, e a equipe responsável pela estruturação do primeiro Leilão de Gás Natural da União. O encontro, realizado de forma virtual a partir da sede da entidade, em Santa Gertrudes (SP), reuniu representantes de empresas do setor, da Anfacer e do Sincer para esclarecer as regras do certame e discutir aspectos específicos da participação da indústria cerâmica.
A iniciativa faz parte da atuação da Aspacer para ampliar as alternativas de suprimento e reduzir o custo do gás natural, um dos principais fatores de competitividade da indústria de revestimentos. “Temos trabalhado para construir um mercado de gás mais aberto, competitivo e transparente, com ampliação da oferta e mais alternativas para o consumidor industrial. Trazer a PPSA para conversar diretamente com as empresas é parte desse trabalho e permite que o setor se prepare para participar efetivamente desse novo mercado”, afirma Luís Fernando Quilici, diretor de Relações Institucionais da Aspacer.
Previsto para 22 de outubro, o leilão deverá ofertar 1,1 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia, com fornecimento entre março e dezembro de 2027. O segmento cerâmico está entre os cinco setores da indústria de base contemplados na primeira rodada, ao lado dos segmentos químico e petroquímico, de fertilizantes nitrogenados, vidreiro e siderúrgico, metalúrgico e de mineração. Durante a reunião, a PPSA detalhou que, para o setor cerâmico, estão previstos 20 lotes de 10 mil metros cúbicos por dia, totalizando 200 mil m³/dia. Os representantes da estatal também explicaram a dinâmica de lances, os limites de aquisição e as possibilidades de contratação direta ou por intermédio de comercializadoras.
Um dos principais pontos levantados pelos representantes da indústria foi o preço do energético. O setor trabalha com a referência de aproximadamente US$ 7 por milhão de BTU como patamar capaz de aproximar a indústria brasileira das condições de seus concorrentes internacionais. No encontro, Paroli explicou que o preço terá como referência 115% do Henry Hub, acrescido da parcela definida pelos lances. “É um esforço que está sendo feito para oferecer um gás, pelo menos a princípio, a um preço competitivo. Também foram discutidas questões práticas importantes para as cerâmicas, como a obrigação de retirada do volume contratado, as paradas programadas das fábricas e a possibilidade, em determinadas circunstâncias e mediante autorização da PPSA, de transferência do gás não consumido sem obtenção de ganho financeiro.
A interlocução com a PPSA integra uma agenda que vem sendo conduzida pela Aspacer para aumentar a concorrência e criar novas alternativas de contratação de gás natural para a indústria. Para Quilici, além do impacto imediato sobre os volumes disponíveis, o primeiro leilão tem importância pelo caminho que inaugura. “Mais do que o volume colocado à disposição neste primeiro momento, o que precisa ser valorizado é a sinalização que esse leilão representa. Estamos abrindo uma nova frente para que a indústria tenha acesso ao gás da União, de outros produtores em território nacional e até mesmo da Argentina e da Bolívia, ampliando a oferta e a concorrência. É um primeiro passo de um processo que precisa avançar para termos gás a preços capazes de tornar a indústria brasileira mais competitiva”, afirma.
