Os grandes bancos estão discutindo com o Banco Central possíveis ajustes nas regras do novo modelo de crédito imobiliário, previsto para entrar em vigor integralmente em janeiro de 2027. Entre os principais pontos em debate está o teto de juros de 12% ao ano para financiamentos enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
As instituições financeiras avaliam que o cenário atual de juros elevados pode dificultar a operação do novo modelo. A proposta prevê uma transição gradual para um sistema menos dependente dos recursos da caderneta de poupança e com maior participação de fontes de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e outras captações.
Entre as alternativas discutidas com o Banco Central estão a revisão ou retirada do limite de 12% ao ano, a aceleração da liberação dos depósitos compulsórios da poupança e até um eventual adiamento da entrada em vigor das novas regras, inicialmente prevista para 2027.
Atualmente, 65% dos recursos da poupança devem ser destinados ao crédito imobiliário, enquanto 20% permanecem como depósitos compulsórios e 15% podem ser utilizados livremente pelos bancos. No novo sistema, a parcela destinada ao financiamento imobiliário chegará a 80% ao longo de dez anos, enquanto os compulsórios serão reduzidos gradualmente até chegar a zero.
A mudança busca ampliar a oferta de crédito e diversificar as fontes de recursos utilizadas pelos bancos. No entanto, essa transição também aumenta a exposição do financiamento imobiliário às condições do mercado financeiro. Com a Selic em patamar elevado, o custo de captação por meio de instrumentos de mercado tende a pressionar as condições oferecidas aos tomadores.
O próprio Banco Central reconheceu que a exigência de destinar 80% dos recursos às operações do SFH, que possuem limite de juros de 12% ao ano, representa um desafio em períodos de juros elevados. A autoridade monetária sinalizou que o novo modelo permanece em avaliação durante os testes e ao longo de sua implementação.
Para o mercado imobiliário e para a construção civil, as discussões são relevantes porque as condições de financiamento têm impacto direto sobre a capacidade de compra das famílias, o ritmo de lançamentos e a demanda por novos empreendimentos. A definição das regras para o novo modelo será, portanto, um dos pontos a acompanhar na evolução do setor nos próximos meses.