O Fórum do Gás Natural se reuniu com o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, para discutir medidas voltadas à ampliação da oferta de gás natural e à redução de custos para a indústria. O encontro ocorreu em um contexto de pressão sobre a competitividade do setor produtivo, diante de preços elevados do insumo no país e de incertezas no cenário internacional.
Participaram do encontro Luís Fernando Quilici, coordenador-geral do Fórum e Relações Institucionais da Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento (Aspacer), o subcoordenador-geral Adrianno Lorenzon, diretor de Gas Natural da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), André Passos Cordeiro, coordenador adjunto do Fórum e diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), e Ana Aparecida Vieira, secretária executiva, também da Abrace. Pela CNI, além de Alban, também estiveram presentes Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais e Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação.
Durante a reunião, o Fórum apresentou seu plano de trabalho para 2026, com foco em medidas estruturais para ampliar a oferta de gás no mercado brasileiro. Entre os principais pontos estiveram a redução das taxas de reinjeção — tema recorrente no debate sobre aproveitamento do gás produzido no país — e o aprimoramento das condições de comercialização do chamado gás da União, incluindo a metodologia de precificação e os custos de acesso à infraestrutura.
A discussão também abordou a perspectiva de aumento gradual da oferta desse gás, com volumes que podem evoluir de cerca de 500 mil para até 3 milhões de metros cúbicos por dia nos próximos anos, o que tende a contribuir para maior liquidez e concorrência no mercado.
Outro eixo do encontro foi a necessidade de fortalecimento da interlocução com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com o objetivo de dar maior previsibilidade regulatória e acelerar decisões que impactam diretamente a oferta e o custo do insumo.
“Há uma convergência clara entre o setor produtivo e a CNI em torno da necessidade de ampliar a oferta de gás com preços mais competitivos. O Brasil tem potencial, mas precisa avançar em medidas estruturais para transformar esse potencial em competitividade real para a indústria”, afirmou Quilici.
Segundo ele, a agenda do Fórum busca atacar pontos específicos que hoje limitam o desenvolvimento do mercado. “A discussão sobre reinjeção e sobre o acesso ao gás da União é central. São temas técnicos, mas com impacto direto na economia. O que está em jogo é a capacidade de o país utilizar melhor seus próprios recursos”, disse.
Como encaminhamento, o Fórum deverá consolidar uma nota técnica com propostas detalhadas sobre os temas discutidos, a ser encaminhada à CNI, com o objetivo de contribuir para a construção de uma agenda coordenada entre setor produtivo e entidades representativas da indústria.
