Custos de produção e incertezas externas pressionam indústria cerâmica paulista em 2026

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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou, em março, a projeção de crescimento de 0,9% da produção da indústria geral em 2026. A expectativa é de estabilidade na indústria de transformação, após queda em 2025 (-0,2%); forte expansão da indústria extrativa (+6,2%), puxada por petróleo e gás.

No segmento cerâmico, todavia, o cenário é de cautela. O Panorama ANFACER sinaliza para uma retração da produção neste ano, que será sentida também pela indústria paulista. Essa perspectiva é fortemente influenciada pela escalada do preço do gás natural, que representa entre 30% e 35% do custo total de fabricação do metro quadrado de cerâmica, além das incertezas no mercado internacional e do crescimento mais lento da construção civil. 

No cenário internacional, há fatores de pressão. A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, provoca flutuações relevantes nos preços internacionais do gás natural. O setor cerâmico é o segundo maior consumidor de gás natural da indústria brasileira, e variações no preço desse insumo têm impacto direto na competitividade das empresas.

Além disso, a instabilidade tarifária nos Estados Unidos, principal destino das exportações da cerâmica brasileira, também preocupa o setor. “A indústria paulista exporta aproximadamente 10% do total de vendas. Em 2024, os EUA representavam 7% das vendas externas, em 2025 essa participação caiu para 4% por conta das taxas extra”, explica Quilici. Em julho do ano passado, os EUA anunciaram uma taxa de 50% aos produtos vindos do Brasil, que foi posteriormente renegociada. Atualmente, os revestimentos cerâmicos que entram em solo americano pagam a tarifa base de 8,5% e uma tarifa adicional de 10%, mas essa taxa adicional pode subir para 15% em breve, caso novas diretrizes sejam efetivadas. “Essa imprevisibilidade dificulta muito o fechamento de contratos”, afirma.

Para o mercado interno, as projeções da entidade consideram o desempenho da construção civil, que tem avançado em ritmo mais moderado. A incerteza em relação à trajetória da taxa de juros, agravada pelas tensões internacionais, dificulta uma retomada mais consistente dos investimentos e tende a adiar decisões de novos empreendimentos imobiliários. Como resultado, a demanda por materiais de construção, incluindo pisos e revestimentos cerâmicos, deve apresentar pouca alteração ao longo do ano.

Atualmente, o setor opera no estado de São Paulo com 72% da capacidade instalada, o que indica espaço para ampliação da produção caso a demanda volte a crescer. Essa margem mostra que a indústria está preparada para atender a um eventual aumento do consumo sem comprometer a eficiência operacional.  

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