O ano começou com recuperação no nível de emprego na indústria paulista e a geração de vagas ganhará força nos próximos meses. De acordo com André Rebelo, gerente do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp, fevereiro já deve registrar um "aumento generalizado" no nível de emprego.
De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, a criação de postos cresceu 0,42% em janeiro, na série com ajuste sazonal, somando 12 mil novos empregos. "2010 já começa com uma cara boa para a geração de emprego", afirmou o diretor-adjunto do Depecon, Walter Sacca.
Neste mês, a demanda interna e a antecipação da safra de cana de açúcar por parte de algumas empresas devem acelerar ainda mais o índice. Rebelo explicou que com os preços do açúcar e do álcool em alta, a indústria está prorrogando a colheita ou, em alguns casos, adiantando o plantio, para lucrar mais.
Esse movimento fez com que as demissões no setor ficassem abaixo do esperado em janeiro. Os segmentos de produtos alimentícios e fabricação de coque, de produtos derivados de petróleo e de biocombustíveis tiveram queda de 1,7% e 3,3% no nível de emprego no mês passado, respectivamente. "Esses números são bem modestos. Normalmente, eles chegam a até 15% [de queda]", afirmou Rebelo.
Em janeiro, apenas esses dois setores tiveram desempenho negativo, ao todo, são 22. Os dados da Fiesp mostram que 17 segmentos contrataram no período, com destaque para produtos de madeira (1,7%). De acordo com os pesquisadores do Depecon, a alta foi influenciada pelo aquecimento da construção civil, grande mercado consumidor desses produtos.
"O Senai e o Sesi treinaram no ano passado 38 mil trabalhadores para a construção. Neste ano, serão 60 mil. E o setor diz que ainda é pouco", afirmou Sacca.
Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (1,5%) e máquinas e equipamentos (1,3%) --setor muito afetado pela crise financeira, já que depende muito das exportações, também foram destaques positivos no mês.
Recuperação
Apesar da previsão de forte geração de vagas nos próximos meses, a Fiesp não acredita que o emprego na indústria de São Paulo volte aos níveis pré-crise neste ano. A projeção para o indicador é de crescimento de 6,3% em 2010, com o nível de atividade em alta de 12%.
Entre outubro de 2008 e dezembro de 2009, porém, a indústria paulista registrou o fechamento de 262 mil postos de trabalho, queda de cerca de 7%.
Assim, o nível de postos de trabalho só deve retornar aos patamares de setembro de 2008, mês que marcou o agravamento da crise financeira, no início de 2011, prevê a Fiesp.
De acordo com a entidade, isso acontece porque o emprego retorna mais lentamente que a atividade, já que a indústria se habitua a produzir a mesma quantidade, com menos gente.
Fonte: Folha de S.Paulo