Alta de juros pode desacelerar mercado imobiliário em 2022

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A tempestade perfeita positiva que o mercado imobiliário viveu nos últimos dois anos acabou, afirmou o economista e escritor Eduardo Giannetti. A visão do especialista, exposta ontem no Abecip Summit, considera que os fatores responsáveis por impulsionar o setor a patamares recordes de vendas e de concessão de crédito desapareceram e o cenário vai piorar em 2022. “A tempestade perfeita às avessas que o setor imobiliário viveu na pandemia acabou”, disse. “Com aumento de juros, desaceleração do crescimento, inflação alta e incerteza fiscal termina aquele período tão favorável”, acrescentou. “Estamos num processo de deterioração permanente das contas públicas.” Para Giannetti, “será uma luta difícil para o Banco Central sozinho, sem ajuda da política fiscal, reverter uma taxa de inflação que ameaça sair do controle”. Nesse cenário, o mercado imobiliário é afetado tanto pela subida de juros, que podem voltar aos dois dígitos, quanto pela desaceleração do crescimento.
O presidente do Sindicato da Habitação em São Paulo (Secovi-SP), Basílio Jafet, afirmou enxergar “um ou dois anos difíceis”. O dirigente, porém, disse acreditar que, no médio e longo prazos, os fundamentos do setor mantêm o mercado resiliente. “Ainda existe um déficit habitacional e, nas principais metrópoles no Brasil, temos necessidade de construir 1,5 milhão de novas moradias por ano.”
O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), Luiz Antonio França, afirmou ainda que o mercado de baixa renda é extremamente resiliente às crises. “No próximo ano e nos seguintes teremos um mercado de baixa renda muito fortes. Os juros não afetam os tomadores do mercado de baixa renda, porque a formação de taxas vem do ‘funding’ do FGTS portanto temos recursos e taxas.”, disse.

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