Polo Cerâmico de Santa Gertrudes em pauta

Postado em Energia, Mineração

Subsecretaria de Mineração promove encontro técnico para difundir o conhecimento operacional e ambiental do setor na região.

José Jaime Sznelwar – Subsecretário de Mineração – Secretaria de Energia e Mineração, Amarildo Antonio Zorzo – Prefeito de Corderópolis, João Carlos de Souza Meirelles – Secretário do Estado de Energia e Mineração e Benjamin Ferreira Neto – Presidente da ASPACER e do SINCER

A Secretaria de Energia e Mineração recebeu no dia 31 de maio, os principais especialistas do Brasil em cerâmica. Com o objetivo de difundir o conhecimento a respeito do desempenho operacional e ambiental da atividade de mineração no polo cerâmico de Santa Gertrudes, a Subsecretaria de Mineração promoveu uma reunião com técnicos de diversos órgãos e entidades. “Essa reunião técnica sobre o Polo Cerâmico de Santa Gertrudes se reveste de uma importância muito grande para o estado, para os setores produtivos e para os nossos municípios. A presença de todos, revela exatamente o compromisso com este setor, que não é só o da cerâmica, mas o da mineração de São Paulo, de seus produtos minerais e da atividade minerária e, sobretudo, da responsabilidade do estado em tratar este assunto”, disse o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles.

“Não podemos deixar de destacar a importância ainda maior que esse setor conquistará nos próximos anos, por isso, reunimos diversas entidades interessadas em defender, através de dados e estudos, seus pontos de vista sobre a atividade minerária na região”, destacou José Jaime Sznelwar – subsecretário de mineração do estado de São Paulo.

Para o presidente da CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, Otávio Okano, a região apresentou nos últimos anos alguns avanços na exploração criteriosa e sustentável. “A CETESB quer ser parceira dos produtores e não aquela fiscalizadora que vai às empresas para multar. Escolhemos o caminho de sentar e negociar. Fico satisfeito pelo tipo de trabalho que a Secretaria de Energia e Mineração está fazendo para unir os esforços e manter o Estado como carro chefe nacional na produção de cerâmica”, afirmou.

Para o superintendente do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, Ricardo de Oliveira Moraes, esse encontro é importante para o futuro do setor. “Se não investirmos em tecnologia na mineração, não sei se o trabalho vai continuar. É preciso fazer o dever de casa e a hora da mudança é agora”, disse.

“Por isso, destacou Meirelles, que é muito importante haver entidades como a ASPACER, que sejam interlocutoras do setor produtivo, para legitimizar preocupações para com o setor que representam, afinando o discurso com municípios, com as regionais do estado e, sobretudo com esse modelo de desenvolvimento sustentável que nós precisamos para o país”. Atualmente, São Paulo é o primeiro consumidor de produtos minerais do Brasil.

Dando início às apresentações, o presidente da ASPACER e do SINCER, Benjamin Ferreira Neto, apresentou os números do polo cerâmico de Santa Gertrudes no cenário nacional e mundial. “Aliando um desenvolvimento sustentável e a união de diversas entidades, o objetivo deste encontro é o de promover ações que perpetuem o setor de mineração e o setor cerâmico de revestimento, gerador de emprego e renda, priorizando a otimização de todo o processo produtivo e tecnológico, que envolve a extração da matéria-prima (argila), até o produto final, pensando no bem estar de todos os envolvidos”. afirmou Benjamin.

Na sequência o engenheiro de minas da Minaplan, Fernando Mendes, apresentou algumas características da atividade de mineração na região, defendendo que o setor, tem totais condições de atender normas de sustentabilidade “O Polo Cerâmico necessita ser estrategicamente observado pelo poder público, a fim de fomentar e viabilizar projetos de mineração adequados ao seu aproveitamento”.

Em seguida, a gerente da Cetesb regional de Piracicaba, Ednéa Parada, mostrou a conformidade do polo com a legislação ambiental e destacou a conclusão do PREFE – Plano de Redução de Emissão de Fontes Estacionárias, como um Plano Setorial para ser implantado, que agora está sob consulta pública, para elaboração final do documento.

Antenor Zanardo, professor da UNESP de Rio Claro, em sua apresentação, expôs a caracterização da geologia dos depósitos de argila na formação Corumbataí, exemplificando os diferentes tipos de minas e suas particularidades, além disso destacou que “o principal vilão dos índices da qualidade do ar na região, não são os pátios de secagem, a atividade minerária ou o minério em si. As estradas sem asfaltamento, contribuem de maneira significativa para a dispersão da poeira”. Antigo pleito da ASPACER, o asfaltamento de 16,7 km de vicinais foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin em 2009. Segundo o DER – Departamento de Estradas de Rodagem, os projetos foram concluídos no segundo semestre de 2015, porém aguardam disponibilidade orçamentária para contratação das obras.

Dando continuidade às apresentações, o geólogo consultor, Flávio de Paula Silva e o engenheiro, Carlos Loret, da Universidade de São Paulo, apresentaram temas relacionados a hidrologia da bacia do Vale do Corumbataí, destacando através de análises, que a atividade extrativa da argila, não causa impacto em relação a disponibilidade hídrica da bacia.

A rede de monitoramento hidrológico e superficial da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais foi apresentada pelo geólogo José Carlos Garcia, que discorreu sobre o trabalho realizado pela CPRM – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. Após a demonstração da modelagem hidrogeotécnica em minas a céu aberto apresentado pelo geólogo consultor, Jacinto Costanzo Junior, que destacou a importância dos empreendedores investirem em pesquisa como modelo para outros segmentos, o geólogo do Instituto de Pesquisa Tecnológico, Fernando Fernandez mostrou um estudo hidrogeológico proposto pelo órgão para região, destacando a importância de valorizar a pesquisa para planejar o setor para os próximos anos.

O diagnóstico ambiental para o Plano Diretor Municipal de Rio Claro, foi apresentado pelo engenheiro agrônomo, Samir Mussa, que destacou que existe como explorar o minério no município, que hoje é a cidade com maior número de jazidas da região, porém priorizando a preservação, tendo como base estudos físicos, naturais e sociais locais.

Um Plano Diretor de Mineração – PDMin para o Polo Cerâmico da região, apresentado em 2012, foi mostrado pelo geólogo do IPT, Carlos Gamba, que ressaltou, “a implantação das diretrizes contidas no PDMin dependerá da continuidade da articulação e coalização dos agentes locais para incentivar e requerer o engajamento efetivo do setor produtivo e buscar os recursos e parceiros necessários com organismos públicos e privados”.

Para finalizar o plano de desenvolvimento urbano integrado para aglomeração de Piracicaba, foi exposto pelo arquiteto e vice-presidente da Emplasa, Luiz José Pedretti, que destacou a importância do setor minerário e o interesse comum de todos os envolvidos, acima do interesse local.

“Saímos desse encontro com a certeza de que há muito trabalho pela frente, mas também com a certeza de que participam profissionais qualificados e com vontade de realizar uma mineração ainda melhor. São Paulo quer ter uma mineração cada vez mais responsável e o Polo de Santa Gertrudes está nessa direção”, comentou o subsecretário de Mineração, José Jaime Sznelwar.

“Representando o polo cerâmico de revestimento paulista, agradeço a oportunidade de juntos, tratarmos de um assunto de grande relevância para o nosso setor. Tenho plena certeza que a disposição de todos em contribuir para um objetivo comum, foi extremamente positivo, com resultados futuros que serão de pleno êxito”, concluiu Benjamin Ferreira Neto.

A reunião técnica foi organizada pelo geólogo da Secretaria de Energia e Mineração, Antonio Camargo Junior e Marcos Koritiake. Em um próximo encontro, a partir de todas as informações coletadas, será organizado um trabalho operacional através da Secretaria, para alinhar as ações futuras.

Mineração no Estado de São Paulo

São Paulo é o terceiro maior produtor de bens minerais do país e o maior consumidor de insumos da cadeia de construção.   O Estado também é o maior produtor de equipamentos e insumos para a indústria mineral, empregando mais de 200 mil trabalhadores.

O Estado possui mais de 2.800 minas em operação, com 95% de produção em areia, brita, calcário e argila. Só a Região Metropolitana de São Paulo recebe, diariamente, mais de 4.500 carretas de brita. Diferentemente de outros estados, predominantemente exportadores, São Paulo é o destinatário final destes insumos, gerando riqueza e renda local.

O objetivo da Secretaria de Energia e Mineração é estabelecer uma política que estimule a produção e o atendimento da demanda compatível com outras formas de uso e ocupação do solo.

A competência pela concessão de outorga de pesquisa e exploração de recursos minerais é federal, cabendo ao estado a regulação ambiental das atividades e aos municípios a autorização para o exercício local dessas atividades.

Polo de Santa Gertrudes

O polo cerâmico de Santa Gertrudes é formado pelas cidades de Limeira, Cordeirópolis, Santa Gertrudes, Rio Claro, Ipeúna, Piracicaba e Iracemápolis. É o maior polo cerâmico das Américas em produção e o segundo maior do mundo. O Estado de São Paulo tem um papel de destaque na produção nacional de revestimentos cerâmicos, representando hoje 70% da produção nacional, com aproximadamente 600 milhões de metros quadrados por ano produzidos. Cerca de 85% da produção de todo o Estado está localizada na região de Santa Gertrudes.

O setor cerâmico paulista representa uma das maiores forças empresariais do Brasil, sendo responsável por 12 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.